
O Visual Studio continua a ser o ambiente de desenvolvimento integrado (IDE) de eleição para inúmeros programadores, destacando-se pelas suas capacidades multiplataforma e pelo suporte robusto da gigante de Redmond. Com o lançamento recente do Visual Studio 2026, a empresa introduziu várias melhorias no software, mas decidiu agora abordar um tópico que gera frequentemente debate entre a comunidade: a experiência de utilização (UX) dos atalhos de teclado.
A Microsoft sublinhou que certos atalhos estão profundamente enraizados na memória muscular dos utilizadores, o que cria conflitos quando o comportamento no Visual Studio 2026 difere de outros softwares populares. Um exemplo clássico é a combinação Ctrl + W. Enquanto no navegador Google Chrome ou no Visual Studio Code este atalho serve para fechar um separador, no Visual Studio 2026 a sua função predefinida é selecionar a palavra atual. Para fechar o separador, o utilizador teria de recorrer ao Ctrl + F4.
A herança da memória muscular
Segundo a tecnológica, esta discrepância não é uma falha de design, mas sim uma decisão intencional. O feedback dos programadores indica que muitos utilizam este atalho com a função de seleção desde o início dos anos 2000. Alterar este comportamento agora poderia quebrar o fluxo de trabalho de milhares de profissionais veteranos.
Felizmente, o Visual Studio 2026 permite alterar o mapeamento das teclas. Se um utilizador preferir trocar um atalho, tem total liberdade para o fazer. O IDE vai ainda mais longe, permitindo selecionar perfis de programador (como C#, C++ e Web) durante a configuração inicial, adaptando a experiência de codificação ao perfil escolhido. Isto significa que os atalhos familiares de outros editores ou linguagens podem ser migrados para o novo ambiente. É inclusive possível selecionar mapas de teclas predefinidos, como os do Visual Basic 6, Visual Studio Code e ReSharper, através de um menu suspenso.
O desafio técnico da personalização
A empresa destaca, no entanto, que a telemetria não é suficiente para resolver todos os problemas de personalização. Embora o sistema registe o pressionar das teclas, não consegue captar a intenção do utilizador. Para contornar esta limitação, o Visual Studio utiliza um sistema de "escopo", onde o mesmo atalho pode ter comportamentos diferentes dependendo da janela que está ativa no momento.
A situação torna-se ainda mais complexa com os atalhos sequenciados. Por exemplo, no escopo do editor de texto, a combinação Ctrl + E seguida de Ctrl + W ativa a quebra de linha (word wrap). Se o utilizador alterar o mapeamento do Ctrl + E isoladamente, acabará por afetar também esta combinação sequencial.
É este ato de equilíbrio que torna qualquer alteração uma tarefa delicada. Conforme detalhado na publicação oficial no blog da equipa de desenvolvimento, ao adicionar ou alterar um atalho, a equipa não se limita a escolher uma nova tecla; é necessário examinar todo o teclado, identificar o que está em uso e, por vezes, reorganizar outros atalhos para evitar conflitos, garantindo que o fluxo de trabalho de cada programador permanece intacto.