
A tensão comercial entre as grandes potências tecnológicas e o setor automóvel acaba de subir de tom. A fabricante chinesa BYD, que tem vindo a conquistar quota de mercado globalmente, decidiu avançar com uma ação judicial formal contra o governo federal dos Estados Unidos. O objetivo é claro: desafiar a legalidade das tarifas impostas, num movimento que pode abrir as portas à entrada de veículos da marca no território norte-americano.
Segundo informações avançadas pela CarNewsChina, quatro subsidiárias da BYD sediadas nos EUA apresentaram o processo no Tribunal de Comércio Internacional (CIT) no dia 26 de janeiro de 2026, com os detalhes a serem revelados no início deste mês de fevereiro.
Um ataque coordenado nos tribunais
O processo, que visa diretamente figuras de topo da administração norte-americana, incluindo o Departamento de Segurança Interna e o Tesouro, contesta a autoridade legal do governo para impor tarifas ao abrigo da Lei de Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA). As entidades autoras da ação incluem a BYD America, a BYD Coach & Bus (responsável pela produção de autocarros elétricos), a BYD Energy e a BYD Motors.
A gigante chinesa argumenta que as ordens executivas emitidas desde 2025, que incluem tarifas fronteiriças sobre o México e o Canadá, bem como taxas específicas sobre produtos chineses, carecem de autoridade estatutária. A empresa pede ao tribunal que declare estas medidas inválidas e exige o reembolso de todas as tarifas cobradas, acrescidas de juros.
Este caso não é isolado. Insere-se numa vaga massiva de litígios, com milhares de importadores a questionarem a validade destas taxas. A esperança da BYD e de outras empresas reside num precedente aberto pelo caso de um pequeno importador de vinhos, a V.O.S. Selections, que já obteve vitórias em instâncias inferiores. O Supremo Tribunal dos EUA ouviu os argumentos no final de 2025 e espera-se uma decisão final para a primeira metade de 2026. Até lá, o caso da BYD encontra-se, processualmente, em "pausa" à espera dessa decisão superior.
O impacto estratégico: autocarros hoje, carros amanhã?
Embora a ação esteja suspensa, o movimento da BYD é altamente estratégico. Atualmente, a operação da marca nos EUA foca-se sobretudo em veículos comerciais e infraestruturas de energia. A empresa opera uma fábrica em Lancaster, na Califórnia, que é uma das maiores unidades de autocarros elétricos da América do Norte, empregando centenas de trabalhadores locais.
No entanto, uma vitória judicial poderia mudar drasticamente o cenário. Se as tarifas forem consideradas ilegais ou se a BYD conseguir contorná-las através das suas operações no Brasil ou no México, o mercado de veículos ligeiros de passageiros dos EUA poderá finalmente abrir-se à marca. Recorde-se que, no ano passado, o México tornou-se o maior mercado externo individual da BYD.
Se a fabricante tiver sucesso, os veículos produzidos na sua unidade brasileira poderiam entrar nos EUA com tarifas abaixo dos 15%, criando condições para um renascimento dos planos de expansão da marca na região. Para já, a indústria aguarda a decisão do Supremo Tribunal, que ditará o futuro das barreiras comerciais norte-americanas.










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