
A Google, a Tesla e a promotora de centros de dados Verrus estão entre as entidades que defendem que a atual rede elétrica está a ser subutilizada. Para levar esta mensagem aos decisores políticos, juntaram-se à Carrier, Renew Home, Sparkfund e Span para formar um novo grupo de intervenção. De acordo com a informação partilhada pela Utilize, a nova coligação foi lançada na terça-feira com o objetivo de mudar a forma como a infraestrutura energética é construída e aproveitada.
O problema da capacidade desperdiçada
O grupo argumenta que a rede elétrica foi desenhada essencialmente para lidar com curtos picos de alta procura, o que significa que, durante a maior parte do tempo, existe uma enorme capacidade que não tem qualquer uso. A Utilize quer alterar este paradigma, destacando que já existem formas mais inteligentes de explorar estes recursos.
Entre as soluções apontadas pela coligação estão o armazenamento em baterias, a resposta dinâmica à procura e as centrais elétricas virtuais. Embora estas tecnologias tenham crescido significativamente na última década, continuam a ser pouco exploradas devido à cautela de reguladores e políticos, que preferem manter a aposta em opções familiares e centralizadas, como as centrais a combustíveis fósseis. Estas inovações já provaram, contudo, o seu valor na melhoria da resiliência das infraestruturas, como se viu recentemente no Texas, onde o aumento do armazenamento em baterias ajudou o estado a lidar melhor com vagas de frio extremas.
Interesses unidos por uma causa comum
A Utilize afirma que vai promover políticas que incentivem uma adoção mais alargada destas novas tecnologias, o que, naturalmente, também beneficia as empresas envolvidas. Cada membro do grupo atua num nicho específico do setor elétrico. Do lado da oferta, a Tesla vende baterias e painéis solares, a Span comercializa quadros elétricos inteligentes, a Carrier é especializada em bombas de calor e a Sparkfund e a Renew Home focam-se nos recursos energéticos distribuídos. Do lado da procura, gigantes tecnológicos como a Google e a Verrus necessitam de quantidades maciças de energia para manterem os seus servidores em funcionamento.
Embora se defina como uma coligação, a organização já apresenta algumas vitórias, referindo que alguns dos seus membros apoiaram uma proposta de lei na Virgínia que exige às entidades fornecedoras a quantificação e divulgação de como a rede está a ser usada. Esta movimentação sugere que, embora a Utilize pretenda impulsionar alterações políticas, poderá ainda não estar a atuar como um grupo de pressão formal. Mudar a forma como a rede é regulada é um processo longo, mas a união destas empresas demonstra que a indústria está pronta para forçar a transição.












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