
A guerra dos semicondutores aqueceu novamente com o lançamento da família Core Ultra 300, de nome de código Panther Lake. A Intel parece ter recuperado a confiança e não poupou nas palavras para descrever a concorrência, afirmando categoricamente que as soluções gráficas integradas da AMD já não são tão competitivas quando o assunto é eficiência energética.
Esta postura ofensiva surge num momento crucial para o mercado de portáteis, onde a eficiência por watt se tornou o "Santo Graal" do desenvolvimento tecnológico.
Eficiência vs. Força Bruta
Tom Petersen, Fellow da Intel e especialista em gráficos, lançou a discussão numa entrevista recente, onde destacou que, apesar da fama da AMD, os seus novos produtos perdem terreno em cenários de baixo consumo. Segundo o executivo, os gráficos integrados da equipa vermelha "não são tão competitivos" no rácio de desempenho por watt, um fator decisivo para portáteis finos e leves.
Os dados preliminares parecem dar alguma razão à gigante de Santa Clara. Testes iniciais com o novo Core Ultra X9 388H demonstram que, em TDPs limitados a 25 W ou menos, os chips Panther Lake conseguem empatar ou até superar os poderosos Ryzen AI MAX+ 395 da AMD. A nova GPU Arc B390, integrada nestes processadores, tem sido uma surpresa positiva, mostrando que a arquitetura gráfica da Intel amadureceu significativamente.
No entanto, a história muda de figura quando se "abre a torneira" da energia. Quando o consumo não é uma limitação, a força bruta da AMD e dos seus controladores de memória ainda consegue levar a melhor, sugerindo que a batalha será decidida conforme o tipo de utilização de cada consumidor.
A estratégia do "Super Chip" descartada
Outro ponto de divergência interessante entre as duas empresas é a filosofia de construção dos processadores para o futuro da IA e jogos. Enquanto a AMD aposta tudo nos "Super SoCs" como a linha Strix Halo — chips gigantes com gráficos integrados massivos —, a Intel rejeita seguir esse caminho.
Petersen esclareceu que a empresa não planeia lançar um concorrente direto para o segmento "Halo", pois acredita que essa abordagem não é a mais eficiente. Para a Intel, se um utilizador necessita desse nível de performance gráfica, a melhor solução continua a ser uma GPU dedicada, que pode ser fornecida por terceiros (como a NVIDIA) ou pela própria linha Arc dedicada.
Esta troca de argumentos, detalhada em entrevista ao Club386, surge poucos dias após a AMD ter garantido que teria os processadores mais rápidos do mercado, independentemente do que a concorrência dissesse. Resta agora esperar que os dispositivos cheguem às prateleiras para ver quem conquista a carteira dos consumidores em 2026.