
Segundo informações do Igor's Lab, o fundo de investimento EQT Partners está a preparar a venda da SUSE, uma das empresas de software mais antigas e reconhecidas no universo do código aberto. O processo encontra-se ainda numa fase inicial, mas os valores em cima da mesa são impressionantes: a tecnológica poderá ser avaliada em cerca de 6 mil milhões de dólares, o que se traduz em aproximadamente 5,2 mil milhões de euros.
Esta potencial venda marca mais um capítulo na longa história da distribuidora do sistema operativo, que tem passado por várias mãos ao longo das últimas décadas. A EQT, que detém o negócio há cerca de oito anos, procura agora um comprador disposto a pagar um valor que representa cerca de 20 vezes os ganhos atuais da empresa.
A montanha-russa financeira da SUSE
A trajetória financeira da marca tem sido bastante movimentada. A EQT Partners adquiriu a tecnológica em 2018 por 2,5 mil milhões de dólares, mantendo a sua operação de forma autónoma. Antes disso, a distribuidora já tinha sido comprada pela Micro Focus em 2014, e pela Novell em 2004, numa tentativa direta de criar concorrência contra a Red Hat.
Em 2021, a empresa chegou a entrar na bolsa de valores com uma avaliação que ultrapassava os 5 mil milhões de dólares. No entanto, o cenário inverteu-se em 2023, altura em que foi retirada do mercado bolsista e avaliada pela EQT em cerca de 2,72 mil milhões de dólares, praticamente metade do seu valor na entrada em bolsa.
Agora, três anos depois dessa desvalorização, as estimativas voltam a disparar. A avaliação atual de 6 mil milhões de dólares permitiria ao fundo de investimento duplicar o valor da sua entrada no negócio. Atualmente, a empresa gera receitas na ordem dos 800 milhões de dólares, com ganhos EBITDA a rondar os 250 milhões de dólares.
Três décadas de história no mundo open-source
A viagem desta distribuição de Linux começou em março de 1994, desenvolvida por um grupo de estudantes alemães sob o nome S.u.S.E Linux 1.0, um acrónimo germânico para desenvolvimento de software e sistemas. Ao longo do tempo, a distribuição destacou-se pela sua enorme estabilidade e facilidade de configuração, tornando-se numa escolha de excelência para a integração no mercado corporativo.
O ecossistema dividiu-se em duas grandes frentes: o openSUSE, perfeitamente desenhado para os utilizadores comuns e uso pessoal, e o SUSE Linux Enterprise, talhado para as exigências rigorosas das empresas e servidores.
A popularidade global do sistema operativo aberto continua a ganhar terreno, mesmo que ainda seja utilizado por uma minoria face aos gigantes comerciais. Muito além dos servidores empresariais, a plataforma encontrou um novo fôlego entre os jogadores de todo o mundo, impulsionada por avanços nos controladores e na compatibilidade de jogos. Esta evolução fez com que o sistema atingisse uma quota de mercado de 3% na Steam no final de 2025. Resta agora aguardar para ver quem será a entidade disposta a investir milhares de milhões para controlar uma das bases de código aberto mais essenciais do planeta.












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