
Elon Musk confessou publicamente que a sua empresa de inteligência artificial, a xAI, não foi construída corretamente à primeira tentativa e está agora a ser reconstruída de raiz. Esta admissão surge apenas seis semanas depois de a fabricante automóvel ter injetado 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,8 mil milhões de euros) de capital dos acionistas na startup tecnológica.
Segundo os detalhes partilhados pela Fortune e pelo portal Electrek, o momento destas declarações é no mínimo surpreendente. A Tesla revelou este investimento massivo no seu relatório de contas do quarto trimestre de 2025, apresentado a 28 de janeiro. Dias depois, a SpaceX avançou para a aquisição da xAI num negócio colossal que avaliou a nova entidade combinada em 1,25 biliões de dólares (aproximadamente 1,1 biliões de euros). Agora, Elon Musk vem dizer ao mundo que o projeto que acabou de vender aos seus próprios investidores precisa de uma revisão total a nível de fundações.
O êxodo da equipa fundadora
Esta confissão sobre a estrutura da empresa não surge por acaso. A xAI tem sofrido uma verdadeira hemorragia de talento a um ritmo alarmante. Dos 12 cofundadores que iniciaram a aventura com Musk em 2023, restam neste momento apenas dois: Manuel Kroiss e Ross Nordeen.
As saídas dispararam de forma drástica durante o mês de fevereiro de 2026. Jimmy Ba, professor da Universidade de Toronto cujo trabalho foi essencial para o desenvolvimento do Grok, bateu com a porta após relatos de tensões internas devido à exigência de melhores resultados no modelo de linguagem. Tony Wu saiu na mesma semana, seguido por uma vaga rápida de abandonos que incluiu Igor Babuschkin, Kyle Kosic, Christian Szegedy, Greg Yang, Zihang Dai, Guodong Zhang e Toby Pohlen.
Numa reunião interna, Musk tentou desvalorizar a situação, afirmando que alguns perfis são mais adequados para a fase inicial de uma empresa do que para as etapas mais avançadas. No entanto, perder 10 de 12 fundadores originais parece ser mais um colapso interno do que uma evolução natural da equipa. A agravar o cenário, circulam rumores de que vários destes engenheiros de topo estão já a preparar um novo projeto em conjunto.
O risco para os acionistas da fabricante automóvel
O cenário torna-se ainda mais delicado no campo financeiro e legal, deixando qualquer detentor de fundos ligados ao índice S&P 500 indiretamente exposto a este caos corporativo. No dia 16 de janeiro, a fabricante de automóveis elétricos investiu os referidos 2 mil milhões de dólares numa ronda de financiamento da Série E da xAI, garantindo ações preferenciais com uma avaliação a rondar os 230 mil milhões de dólares. Quando a SpaceX adquiriu a empresa semanas mais tarde, esse valor foi convertido numa participação minoritária na empresa espacial.
Atualmente, os acionistas já estão a processar o executivo por quebra de deveres fiduciários, alegando que este desviou de forma indevida recursos e talento de inteligência artificial para beneficiar a sua empresa privada. Esta admissão de que a base tecnológica estava seriamente comprometida, pouco tempo depois de extrair verbas massivas para a suportar, traz agora uma nova dor de cabeça jurídica. Levantam-se questões muito sérias sobre se os investidores da SpaceX e a administração da fabricante automóvel tinham conhecimento de que o projeto precisava de ser reconstruído de raiz antes de fecharem os negócios milionários, algo que certamente atrairá a atenção apertada dos reguladores do mercado.












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