
A estratégia da dona do Facebook para a inteligência artificial está a passar por uma transformação profunda. Depois de um ano focado na família de modelos Llama, Mark Zuckerberg parece estar a mudar de rumo. Segundo informações apuradas pela CNBC, a empresa está a desenvolver um novo modelo de fronteira, internamente apelidado de Avocado, que poderá marcar o fim da obsessão pelo código aberto.
Embora muitos dentro da tecnológica esperassem um lançamento ainda antes do fecho de 2025, o plano atual aponta para que o sucessor do Llama chegue ao mercado durante o primeiro trimestre de 2026. O sistema está a ser submetido a testes rigorosos de desempenho para garantir uma receção positiva no momento da estreia, tentando evitar o percurso menos entusiasta que o Llama 4 teve junto dos programadores.
Mudança de cultura e aposta em modelos proprietários
A Meta tem sido uma das maiores defensoras da inteligência artificial de código aberto, mas o Avocado pode quebrar esta tradição. Fontes próximas do processo indicam que este novo modelo poderá ser proprietário, o que impediria investigadores e programadores externos de descarregar livremente os seus componentes e pesos.
Esta pivotagem estratégica terá sido alimentada por vários fatores. Por um lado, o descontentamento interno com o facto de laboratórios chineses estarem a utilizar partes da arquitetura do Llama nos seus próprios sistemas. Por outro, a necessidade de responder ao avanço de rivais como a Google, OpenAI e Anthropic, cujos modelos proprietários têm ganho uma tração considerável no mercado empresarial.
Zuckerberg não tem poupado recursos nesta corrida. Em junho de 2025, a empresa investiu cerca de 14,3 mil milhões de dólares para contratar Alexandr Wang, fundador da Scale AI, juntamente com uma equipa de elite de engenheiros. Wang assume agora o cargo de diretor de IA da Meta, liderando o TBD Lab, a unidade onde o Avocado ganha forma.
Pressão interna e foco na produtividade
A nova liderança trouxe consigo um estilo de gestão diferente, focado na rapidez e na execução direta. O mantra interno passou a ser "demonstra, não faças memorandos", visando eliminar os habituais estrangulamentos no desenvolvimento de software. No entanto, este ritmo acelerado tem gerado tensões, com semanas de trabalho de 70 horas a tornarem-se a norma em várias divisões.
A reestruturação também deixou marcas na estrutura da empresa. O cientista-chefe de inteligência artificial, Yann LeCun, decidiu abandonar a tecnológica para lançar a sua própria startup, após cortes que afetaram centenas de postos de trabalho no laboratório de investigação fundamental.
Enquanto o Avocado não chega, a Meta continua a reforçar a sua infraestrutura. Recentemente, anunciou uma parceria de 27 mil milhões de dólares para o desenvolvimento do centro de dados Hyperion, garantindo a capacidade de computação necessária para as suas ambições a longo prazo. O objetivo é claro: garantir que a empresa não se torna um ator secundário num mundo definido pela tecnologia inteligente.












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