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macbook neo

A aquisição de um computador portátil implica, na grande maioria das vezes, aceitar um nível de personalização inferior ao de um computador de secretária. Enquanto nalguns modelos mais antigos ainda é possível substituir o disco e a memória, componentes vitais como o processador ou a placa gráfica estão, por norma, inacessíveis. No entanto, a Framework, conhecida pela sua abordagem focada na modularidade total, decidiu colocar o recém-lançado MacBook Neo debaixo dos holofotes pelos piores motivos.

Através de um vídeo publicado no YouTube, Nirav Patel, CEO da Framework, apontou sérias críticas à Apple pelas restrições de hardware impostas no seu mais recente equipamento. O principal ponto de discórdia reside no facto de a marca continuar a soldar a memória e o armazenamento diretamente na placa principal, impossibilitando qualquer tipo de atualização futura por parte do consumidor.

A filosofia da modularidade contra um sistema fechado

A Framework tem construído a sua reputação com base na promessa de longevidade. O seu modelo de negócio permite aos utilizadores trocar praticamente qualquer peça, desde o ecrã ao teclado, passando pelo processador e pelos gráficos, através de um sistema de módulos simples. Patel demonstrou esta facilidade ao desmontar completamente o modelo Framework Laptop 12 em cerca de meia hora, um processo facilitado pelo uso de pinos de contacto e menos de dez parafusos, usados apenas para segurar componentes como os altifalantes, o painel tátil ou a placa de rede.

Em contraste, a experiência com o modelo da marca da maçã revelou-se um autêntico desafio. Embora o CEO tenha reconhecido que a fabricante melhorou o acesso a componentes como a bateria, os altifalantes e o painel tátil, chegar a zonas vitais como o ecrã ou o teclado exigiu a remoção de 41 parafusos diferentes, provando que o design interno não foi pensado para facilitar reparações.

 

Preços semelhantes, mas com liberdades distintas

A comparação torna-se ainda mais pertinente quando se olha para a etiqueta de preço. A versão base do portátil com o sistema macOS chega ao mercado por 599 dólares, o que numa conversão direta rondaria os 550 euros, oferecendo 8 GB de memória e 256 GB de espaço. Por outro lado, a edição DIY (faça você mesmo) do Framework Laptop 12 custa 599 euros equipado com um processador Intel Core i3-1315U. Este formato permite ao utilizador comprar e instalar a memória e o disco à sua escolha, evitando assim as altas margens de lucro cobradas habitualmente pelas fabricantes nas expansões de fábrica.

Para o líder da empresa de portáteis modulares, a questão central foca-se na propriedade do hardware. Patel defende que os consumidores devem ter controlo total sobre o equipamento que compram, não devendo ser forçados a adquirir uma máquina inteiramente nova apenas porque uma peça ficou desatualizada ou deixou de responder às necessidades. Apesar destas duras críticas à arquitetura interna, vale a pena notar que o modelo analisado ainda conseguiu obter uma classificação de reparabilidade de seis em dez pela equipa da iFixit, o que representa um progresso em relação às gerações mais antigas da mesma linha.

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