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O conselho independente criado para fiscalizar as decisões da Meta quer expandir o seu raio de ação para o setor da inteligência artificial, mas Mark Zuckerberg parece estar a travar os planos. Esta resistência surge num cenário de cortes orçamentais e de uma mudança profunda nas políticas de moderação da empresa, que deixam o organismo num impasse sobre a sua continuidade a longo prazo.

Segundo o relatório avançado pelo Platformer, o conselho tem demonstrado um interesse crescente em aconselhar empresas de inteligência artificial generativa, partilhando a experiência adquirida a lidar com as regras de conteúdo da rede social. No entanto, a Meta tem recusado avançar com as alterações legais necessárias para permitir que este organismo colabore com outras entidades do mercado, mantendo os seus especialistas "presos" ao ecossistema da gigante tecnológica.

O dilema da supervisão num mercado competitivo

A vontade do conselho em colaborar com outras tecnológicas intensificou-se à medida que várias empresas de inteligência artificial sinalizaram, de forma privada, que estariam dispostas a aceitar este tipo de fiscalização externa. Esta abertura surge num momento em que nomes como a Anthropic, responsável pelo modelo Claude, enfrentam dilemas éticos semelhantes aos que assombraram as redes sociais no passado.

Apesar de a Meta ter incentivado no passado a procura por novas fontes de financiamento, a possibilidade de o conselho trabalhar com concorrentes diretos parece ter arrefecido o entusiasmo em Menlo Park. Existe o receio de que informações proprietárias e detalhes confidenciais sobre os sistemas de moderação internos possam ser expostos. Além disso, a saída de Nick Clegg, que era um dos maiores defensores do projeto dentro da empresa, deixou o conselho sem um aliado de peso na cúpula de liderança.

Um tribunal digital demasiado lento para a nova era

Desde a sua criação, o organismo já recebeu cerca de 260 milhões de euros em financiamento, mas a sua eficácia continua a ser alvo de críticas. Em cinco anos de atividade, o conselho publicou pouco mais de 200 decisões sobre casos específicos de moderação. Embora a Meta seja obrigada a cumprir estas decisões, elas representam apenas uma fração ínfima dos milhões de pedidos que a organização recebe anualmente.

A estratégia de Zuckerberg também mudou drasticamente. A empresa está a afastar-se da moderação proativa e a reduzir o número de moderadores humanos em favor de sistemas de IA mais automatizados. Esta viragem tecnológica, aliada ao facto de a Meta apenas ter libertado metade da verba prevista para 2028, coloca o conselho numa posição vulnerável. Sem a autorização para se expandir e encontrar novos parceiros, este "tribunal supremo" da internet corre o risco de ficar sem recursos antes de conseguir provar a sua utilidade num mundo dominado pelos chatbots e modelos de linguagem.

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