
Após 15 anos no cargo, Tim Cook entrega a liderança da Apple a John Ternus, atual vice-presidente sénior de engenharia de hardware. A partir do dia 1 de setembro, o engenheiro de 51 anos assume o cargo de diretor executivo e passa a comandar os destinos de uma das maiores gigantes tecnológicas do mundo, saindo finalmente dos bastidores onde construiu a base da sua carreira.
Um trajeto de dedicação quase exclusiva
Com 25 anos de casa, John Ternus dedicou praticamente metade da sua vida à fabricante norte-americana. A sua entrada na equipa de design de produto aconteceu em 2001, naquele que foi apenas o seu segundo emprego após terminar os estudos universitários, tendo antes passado pela Virtual Research Systems, uma pequena fabricante de equipamentos de realidade virtual. A ascensão interna foi consistente, atingindo o cargo de vice-presidente de engenharia de hardware em 2013 e subindo a vice-presidente sénior em 2021.
Sendo 15 anos mais novo que Tim Cook, a sua escolha aponta para uma estratégia de continuidade a longo prazo, algo habitual na marca que conheceu apenas dois diretores executivos neste milénio. Cook funcionou como um mentor para Ternus, que até agora liderava toda a divisão de engenharia responsável pelos equipamentos físicos mais reconhecidos da empresa.
O perfil de Ternus afasta-se dos grandes egos comuns no ecossistema tecnológico. Durante um discurso em 2024 na Universidade da Pensilvânia, onde estudou engenharia, destacou a importância de assumir a mesma inteligência das restantes pessoas na sala, mas nunca presumir que se tem o mesmo nível de conhecimento, sublinhando que essa mentalidade traz a humildade necessária para fazer perguntas. Curiosamente, o executivo mantém um perfil tão discreto que não possui qualquer conta na rede social X. Fora do universo tecnológico, os registos públicos revelam ainda uma doação política de 2900 dólares ao senador Chuck Schumer em 2021.
Da obsessão pelos parafusos aos lançamentos de peso
Os primeiros projetos de Ternus na empresa envolveram uma atenção minuciosa aos componentes do Apple Cinema Display, um dos primeiros monitores de secretária da marca. O próprio recordou um episódio em que, de madrugada, nas instalações de um fornecedor, usou uma lupa para contar as ranhuras na cabeça de um parafuso. O fornecedor tinha fabricado a peça com 35 ranhuras, quando as especificações exigiam exatamente 25.
Esta atenção ao detalhe encontra raízes na filosofia de Steve Jobs. Numa entrevista, Ternus partilhou a sua memória favorita do cofundador da empresa, quando este elogiou o trabalho de um carpinteiro que finalizou a parte de trás de uma cómoda com o mesmo rigor da parte frontal, mesmo sabendo que a traseira ficaria encostada a uma parede.
Com o aumento das responsabilidades, Ternus liderou o desenvolvimento de hardware de produtos fundamentais como os AirPods, o Apple Watch e o Vision Pro. Teve também um papel central na transição técnica dos processadores Intel para a arquitetura proprietária da marca. Recentemente, envolveu-se na produção do MacBook Neo, um portátil mais acessível que atinge este patamar de preço através de compromissos inteligentes no design, como a integração de um processador originalmente pensado para o iPhone.
Nos tempos de faculdade, Ternus fez parte da equipa de natação e o seu projeto final de curso consistiu na criação de um braço de alimentação controlado por movimentos da cabeça para ajudar pessoas com tetraplegia. Agora, na cadeira principal da empresa, o seu desafio será guiar a marca na intensa corrida da inteligência artificial e definir o plano comercial em torno da tecnologia que alimenta o Vision Pro.












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