
A empresa do famoso criador de conteúdos Jimmy Donaldson, amplamente conhecido como MrBeast, está a ser alvo de uma ação judicial interposta por uma antiga funcionária. Lorrayne Mavromatis acusa a companhia de assédio e de a ter despedido indevidamente logo após o seu regresso da licença de maternidade. Segundo avança a NBC News, a queixa deu entrada num tribunal federal da Carolina do Norte e visa as empresas Mr. Beast Youtube LLC e Gamechanger 24/7, exigindo uma indemnização financeira que deverá ser determinada por um júri.
Ambiente de trabalho e queixas ignoradas
Mavromatis juntou-se à empresa em 2022 para gerir a plataforma Instagram, tendo sido promovida várias vezes até alcançar o cargo de diretora de operações da divisão de Verticais, onde liderava uma equipa de 20 pessoas. O processo descreve o ambiente de trabalho da organização como um clube restrito a homens, onde as funcionárias eram alegadamente excluídas de reuniões, sofriam comportamentos humilhantes e ouviam comentários inapropriados sobre a sua aparência.
A situação atingiu um ponto crítico quando Mavromatis pediu ao seu supervisor para intervir perante os avanços amorosos de um cliente abastado. O então diretor executivo, James Warren, que é primo de Donaldson, terá desvalorizado a queixa, sugerindo que a funcionária se devia sentir honrada pela atenção. A ação judicial aponta ainda que o departamento de recursos humanos era gerido pela mãe do criador do YouTube, Susan Parisher, o que impossibilitava a realização de denúncias anónimas ou imparciais. Após apresentar a queixa internamente, Mavromatis relata que as suas alegações foram dadas como infundadas, resultando na sua despromoção para um cargo de gestão de redes sociais na divisão de produtos da marca em janeiro de 2024.
Pressão durante a licença de maternidade
O conflito agravou-se no início de 2025, quando Mavromatis informou a empresa da sua gravidez. A queixa indica que a companhia não a informou devidamente sobre os seus direitos de licença familiar. Embora a sua filha tenha nascido a 31 de março de 2025 e necessitado de cuidados intensivos neonatais, a ex-funcionária afirma ter sido pressionada a continuar a trabalhar nos meses seguintes. O trabalho incluiu o lançamento de um produto em abril e uma viagem ao Brasil em maio para participar na gravação de um vídeo com o futebolista Neymar, tarefas que executou por receio de sofrer represálias caso recusasse.
O seu despedimento acabou por se concretizar em novembro de 2025, menos de três semanas após o regresso oficial da sua licença. A justificação fornecida pela direção terá sido a de que o seu nível de competência era demasiado elevado para as funções que ocupava nas redes sociais, não lhe tendo sido oferecida qualquer alternativa dentro da organização.
A defesa da empresa perante as acusações
Um porta-voz da companhia refutou as acusações, classificando-as como falsas e deturpadas. A empresa garante possuir provas substanciais, incluindo testemunhos e mensagens internas, que desmentem a versão de Mavromatis, sustentando que o seu posto de trabalho foi simplesmente eliminado no âmbito de uma reestruturação geral, e não como retaliação. A equipa de Donaldson acusa ainda a antiga funcionária de explorar a doença inflamatória intestinal do criador de conteúdos no documento judicial com o intuito de manipular a opinião pública.
Jimmy Donaldson, que aos 27 anos conta com 479 milhões de subscritores no seu canal principal, abordou indiretamente o crescimento da empresa num evento recente em Nova Iorque. O criador referiu que o negócio evoluiu drasticamente desde a sua criação, contando agora com mais de 750 funcionários, e sublinhou a importância de ter contratado executivos mais experientes para corrigir falhas e ajudar a gerir equipas de grande dimensão.












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