
A Cloudflare, uma das principais gigantes da infraestrutura da internet, anunciou o despedimento de mais de 1100 trabalhadores a nível global. A justificação para este corte profundo não se prende com a típica necessidade de redução de custos, mas sim com uma transição estrutural para a era da inteligência artificial, numa altura em que o uso de agentes automatizados dentro da própria empresa disparou de forma drástica.
Numa nota interna enviada pelo diretor executivo Matthew Prince e pela diretora de operações Michelle Zatlyn, a liderança sublinhou que a empresa se tornou um dos seus utilizadores mais exigentes no que toca a ferramentas inteligentes. Apenas nos últimos três meses, a utilização de soluções de inteligência artificial pelas várias secções da empresa aumentou 600 por cento, com as equipas a gerirem milhares de sessões diárias para executar tarefas diárias. Este movimento segue a tendência de outras grandes tecnológicas, como a Amazon, a Meta e a Oracle, que também reduziram os seus quadros recentemente por motivos semelhantes.
Uma reestruturação milionária sem motivos de crise
Ao contrário do que é habitual nestes processos, a empresa clarificou que não está a tentar conter prejuízos ou colmatar problemas financeiros. De facto, o anúncio surgiu poucas horas depois de a plataforma apresentar receitas de 639,8 milhões de dólares no primeiro trimestre, superando claramente as expectativas dos analistas de Wall Street. Ainda assim, a reestruturação vai afetar cerca de 20 por cento da sua força de trabalho global, que contava com 5156 funcionários a tempo inteiro.
A visão da empresa foca-se em redesenhar os processos internos para criar valor através dos novos agentes inteligentes, afirmando que as estruturas organizacionais do passado já não servem para o ritmo exigido no presente.
Indemnizações de peso para atenuar o impacto
Para compensar as saídas de forma substancial, a Cloudflare preparou pacotes de indemnização de grande dimensão, estimando um impacto financeiro entre 140 milhões e 150 milhões de dólares durante o segundo trimestre. Os trabalhadores afetados vão continuar a receber o equivalente ao seu salário base na íntegra até ao final de 2026.
A somar a esta medida, nos Estados Unidos, a cobertura de saúde será assegurada até ao fim do ano e os direitos de aquisição de ações serão prolongados até meados de agosto, com perdões para quem ainda não tinha atingido o primeiro ano de serviço. A liderança concluiu a mensagem garantindo que este será um corte único, desenhado para ser definitivo e proteger a estabilidade da equipa que permanece focada no futuro da internet.












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