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Bola de futebol em lama

A Astro, operadora de televisão paga que deteve os direitos de transmissão do Mundial da FIFA na Malásia durante mais de duas décadas, confirmou que não irá transmitir o torneio de 2026. Segundo as informações avançadas pelo portal TorrentFreak, a empresa justifica a perda dos direitos com a pirataria massiva, que terá reduzido drasticamente o valor comercial do evento.

Para garantir que os adeptos não fiquem sem acesso aos jogos, o governo da Malásia interveio com um investimento de aproximadamente 5,6 milhões de euros. Este valor permitiu que os direitos passassem para a estação pública RTM e para o serviço Unifi TV, garantindo que muitos cidadãos possam acompanhar as partidas de forma gratuita, sem a barreira de uma subscrição paga.

O impacto da pirataria no valor comercial

A Astro explicou que o aumento dos custos de licenciamento, aliado a uma inflação galopante, tornou o investimento economicamente inviável. A empresa sublinhou que a pirataria desenfreada na Internet corroeu o valor dos direitos, lembrando que as edições de 2018 e 2022 foram alvo de uma distribuição ilegal extensiva no país.

É pouco comum que uma grande operadora admita publicamente que a pirataria online foi o motivo principal para não conseguir cobrir o preço exigido pelas licenças. Contudo, existe agora a possibilidade de as taxas de visualização ilegal baixarem na Malásia, uma vez que o conteúdo deixará de estar protegido por um sistema de pagamento, eliminando um dos maiores incentivos para quem procura transmissões alternativas.

Tensões em mercados estratégicos globais

A pouco menos de um mês do início da competição, marcado para o dia 11 de junho, a FIFA já finalizou acordos em mais de 175 territórios, mas ainda enfrenta dificuldades em mercados cruciais. Na China e na Índia, as negociações continuam num impasse devido a divergências sobre os valores das licenças, o que coloca em risco a audiência de milhares de milhões de pessoas.

Caso não sejam alcançados acordos com operadores oficiais nestas regiões, a procura será inevitavelmente redirecionada para o streaming não oficial. Este cenário coloca pressão adicional sobre a FIFA, que tenta evitar a criação de novos hábitos de consumo ilegal. Resta saber se o Mundial de 2026 acabará por ser o evento mais pirateado de sempre ou se o acesso gratuito em certos países conseguirá inverter esta tendência.

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