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Energia nuclear

Durante décadas, os EUA acumularam cerca de 100 toneladas de plutónio originárias do armamento da Guerra Fria. Em vez de manter este material radioativo indefinidamente em instalações de alta segurança, o governo norte-americano tem um novo plano. Segundo avança o TechCrunch, o Departamento de Energia selecionou cinco startups para negociar a entrega de uma parte deste stock, com o objetivo de alimentar uma nova geração de reatores nucleares.

O desafio de reciclar material radioativo

O Departamento de Energia identificou cerca de 34 toneladas de plutónio para descarte. Para ajudar nesta tarefa, foram selecionadas cinco empresas emergentes do setor: Oklo, Standard Nuclear, Shine Technologies, Flibe Energy e Exodys Energy.

A Oklo, em particular, tem ligações conhecidas ao setor tecnológico e político. O atual Secretário de Energia, Chris Wright, pertenceu ao conselho da empresa, cargo que abandonou ao juntar-se à administração, tendo alienado as suas ações. Além disso, Sam Altman liderou o conselho de administração após a fusão com a sua empresa de aquisição AltC, posição que abandonou no ano passado.

O problema principal deste material é a sua durabilidade. O plutónio é tipicamente um subproduto gerado pelo bombardeamento de urânio não cindível com neutrões e possui uma meia-vida de 24 mil anos. Isto significa que o governo não pode simplesmente armazenar o material e esperar que a sua radioatividade desapareça naturalmente.

Reatores de nova geração e combustível misto

Várias destas empresas planeiam utilizar o material de forma inovadora para produzir energia. A Oklo e a Exodys Energy estão a desenvolver reatores capazes de operar tanto com urânio tradicional como com combustível de óxido misto, conhecido como MOX, que combina urânio com plutónio. Por sua vez, a Flibe Energy foca-se num reator concebido para funcionar com plutónio e outros subprodutos de reatores de fissão.

A produção de combustível MOX não é uma novidade mundial, sendo já fabricado em França. Os Estados Unidos tinham planos para o produzir na Carolina do Sul, mas o projeto foi cancelado durante a primeira administração Trump devido a derrapagens orçamentais e atrasos nos prazos. Agora, uma das parceiras da Oklo neste projeto, a britânica Newcleo, manifestou a intenção de construir a sua própria instalação de fabrico de combustível MOX nas proximidades.

Preocupações de segurança no horizonte

Apesar do potencial para a geração de eletricidade, a iniciativa não agrada a todos. Dado que o material tem origem direta em armas nucleares, os riscos de segurança levantados são consideráveis.

Em declarações ao New York Times, Scott Roecker, vice-presidente da Nuclear Threat Initiative, alertou que outras nações já tentaram esta abordagem no passado. Segundo o responsável, a conclusão foi que o uso de plutónio como combustível representa uma enorme responsabilidade e um risco de segurança, devendo ser descartado de forma permanente.

Para as startups selecionadas, o próximo passo passa por entrar em negociações avançadas com o governo para definir os rigorosos protocolos de segurança e as condições de transporte deste material sensível.

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