
O panorama das pesquisas na internet está a sofrer uma transformação profunda, impulsionada pela integração de ferramentas baseadas em inteligência artificial. Segundo um estudo recente desenvolvido pela SparkToro, as pesquisas no Google que terminam sem qualquer clique alcançaram os 68,01% nos EUA nos primeiros quatro meses de 2026. Este valor representa um aumento significativo face aos 60,45% registados em 2024, evidenciando que a tecnológica consegue responder diretamente às dúvidas dos utilizadores na própria página de resultados.
A par desta tendência, a percentagem de pesquisas que geram pelo menos um clique para sites externos, anúncios ou propriedades da própria marca registou uma quebra de 9,51 pontos percentuais em dois anos. Em contrapartida, o comportamento de refinar ou continuar a pesquisar dentro da própria plataforma cresceu 7,2 pontos percentuais, retendo os utilizadores no ecossistema da empresa.
O impacto das resumos com inteligência artificial
O crescimento das chamadas pesquisas "zero-click" está fortemente associado à expansão das resumos gerados por inteligência artificial, que surgem agora em mais de 20% das procuras realizadas. Quando estes resumos são apresentados, a taxa de clique para os sites tradicionais sofre uma redução abrupta de quase 60%. O motor de busca acaba por absorver a necessidade de navegação, entregando a informação mastigada.
Embora o novo modo focado em ia tenha tido um peso modesto de apenas 0,34% no volume total de pesquisas durante o período em análise, os dados partilhados na conferência de programadores revelam que esta funcionalidade superou a fasquia de mil milhões de utilizadores mensais. Com os volumes de consultas a duplicar a cada trimestre, o impacto desta modalidade na retenção de tráfego promete intensificar-se nos próximos tempos.
Os desafios para o setor do SEO
A evolução histórica deste fenómeno deixa claro que o comportamento sem clique veio para ficar. Em 2019, os dados apontavam para cerca de 49% de pesquisas sem cliques, um valor que escalou para os 64,82% em 2020 e estabilizou perto dos 58,5% em 2024 no mercado norte-americano, com valores semelhantes na União Europeia. Perante esta realidade, os especialistas da área alertam que depender exclusivamente de estratégias tradicionais de otimização pode já não ser suficiente para recuperar os volumes históricos de tráfego.
A recomendação passa por investir no reforço da notoriedade e influência da marca diretamente nos canais onde o público-alvo passa o seu tempo, independentemente de essas ações resultarem em visitas imediatas ao site. Ainda assim, existem segmentos específicos que continuam a colher fortes benefícios do posicionamento orgânico, tais como as procuras por marcas específicas, negócios locais ou intenções de compra transacionais diretas.












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