
A expansão massiva das infraestruturas dedicadas à inteligência artificial está a cobrar uma fatura pesada em termos de eletricidade global. O relatório ambiental de 2026 da Google revela que o consumo elétrico da empresa disparou 37% ao longo de 2025, marcando a maior subida anual já registada pela tecnológica, segundo os dados avançados pela Ars Technica.
O salto no consumo reflete uma mudança de paradigma na forma como interagimos com a tecnologia atual. Para suportar esta nova realidade digital, os centros de dados da empresa alcançaram a marca dos 42 milhões de megawatts-hora consumidos em 2025, um aumento substancial face aos 30,6 milhões verificados no ano anterior. Este cenário levanta questões pertinentes na Europa e em Portugal, onde a sustentabilidade e a aprovação de novos centros de dados começam a ser escrutinadas de forma mais rigorosa face aos limites físicos das redes elétricas nacionais.
O peso da inteligência artificial no consumo global
A trajetória de crescimento nos gastos de eletricidade não é algo totalmente novo, mas a inclinação da curva tornou-se mais acentuada. De acordo com o documento oficial, os gastos de energia acumulam uma subida impressionante de 250% ao longo dos últimos seis anos, com a tendência de alta bem marcada desde 2019.
Este fenómeno é diretamente impulsionado por três pilares operacionais de grande escala: a expansão consistente dos serviços na nuvem, as exigências de reprodução contínua nas plataformas de vídeo e, sobretudo, o enorme poder computacional exigido para treinar e operar os novos modelos de linguagem. O apetite energético destas instalações é de tal forma massivo que o gasto anual da empresa chega, em certos casos, a ultrapassar o consumo total de países inteiros.
Desafios com emissões e as metas de sustentabilidade
Apesar desta escalada no gasto elétrico, a tecnológica conseguiu manter uma redução de 2% nas suas emissões operacionais de carbono durante o mesmo período. Esta métrica foi alcançada através de uma aposta na aquisição de energia limpa, com o relatório a indicar que mais de 25 projetos contratados entraram em funcionamento em 2025. Estes investimentos injetaram quase dois gigawatts de eletricidade renovável nas redes que alimentam as instalações da empresa.
A complexidade da cadeia de abastecimento apresenta, contudo, um obstáculo adicional ao balanço ambiental. As emissões totais de carbono da tecnológica sofreram um agravamento de 18% entre 2024 e 2025, um impacto fortemente atribuído aos desafios de fabrico e logística na região da Ásia-Pacífico. O equilíbrio entre a inovação digital impulsionada pela inteligência artificial e a preservação dos recursos energéticos e ambientais assume-se assim como o teste crítico da década para as infraestruturas globais.












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