
A proliferação da inteligência artificial e a constante expansão dos centros de dados vão ter um impacto massivo na infraestrutura elétrica global. De acordo com o relatório divulgado esta quinta-feira em Viena pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo, o consumo de eletricidade proveniente destas áreas tecnológicas vai multiplicar-se por sete até 2050, passando a representar 8% de toda a procura a nível mundial.
O peso dos centros de dados na rede elétrica
A análise detalhada das perspetivas mundiais demonstra que a necessidade de eletricidade impulsionada pela computação de alto desempenho vai sofrer um aumento de 3606 terawatt-hora (TWh). Em termos práticos, isto significa um salto drástico dos 602 TWh registados em 2025 para cerca de 4208 TWh a meio do século. O documento constata que este crescimento exponencial vai colocar uma enorme pressão nas redes das economias mais avançadas. Nos Estados Unidos, a título de exemplo, o consumo energético atingiu o seu segundo recorde anual consecutivo em 2025, com a trajetória dos dados oficiais a indicar que irá aumentar ainda mais em 2026 e 2027.
Em termos globais, a produção de eletricidade terá de aumentar mais de 85% entre 2025 e 2050, ultrapassando os 50.500 TWh. Este volume reflete não só a revolução tecnológica, mas também o forte desenvolvimento industrial em regiões como a Ásia. A dimensão deste impacto levou os investigadores do Instituto para a Água, Ambiente e Saúde das Nações Unidas a alertarem, ainda este mês, que os centros de dados podem consumir o dobro da energia e água até 2030, gerando autênticas montanhas de lixo eletrónico caso a implantação ignore os crescentes custos ambientais.
Energia nuclear surge como a grande alternativa
O grande obstáculo logístico atual reside no facto de que as infraestruturas de inteligência artificial exigem um fornecimento elétrico ininterrupto e altamente fiável para o processamento de dados. Dado que as fontes de energia renováveis, devido à sua natureza natural intermitente, não conseguem sempre garantir esta estabilidade absoluta, o setor energético está a mudar o seu paradigma de atuação.
O relatório sublinha uma tendência clara do mercado para a adoção da energia nuclear como a solução de estabilidade mais viável. Grandes nomes da tecnologia tecnológica como a Google, a Microsoft, a Amazon e a Meta já anunciaram possíveis acordos de fornecimento elétrico diretamente ligados à energia nuclear. Esta estratégia conjunta assenta, em grande medida, no desenvolvimento e futura instalação de pequenos reatores modulares, infraestruturas desenhadas especificamente para alimentar as necessidades constantes destas tecnológicas.












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