
O panorama energético global sofreu uma reviravolta inesperada em 2025, com as duas nações mais populosas do mundo a seguirem um caminho inverso ao da maior economia ocidental. Pela primeira vez em mais de meio século, a China e a Índia registaram uma queda simultânea na produção de energia a carvão, enquanto os Estados Unidos viram o uso deste combustível fóssil aumentar significativamente, impulsionado pela procura insaciável de tecnologia e custos energéticos elevados.
A sede de energia dos Estados Unidos
Enquanto o mundo procura afastar-se dos combustíveis fósseis, os EUA registaram um aumento de 13% na geração de energia a carvão durante o ano passado. Este valor representa uma mudança notável numa tendência que, até agora, apontava para um declínio rápido desta fonte de energia. No início do milénio, o carvão representava metade da eletricidade gerada no país, tendo descido para cerca de 15% em 2024, mas recuperando para 17% em 2025.
O principal motor deste ressurgimento não foi uma mudança política, mas sim uma necessidade tecnológica. O aumento da procura de eletricidade, que quebrou duas décadas de estabilidade no consumo, foi largamente alimentado pela expansão dos centros de dados. A par disto, um pico nos preços do gás metano, causado por condições meteorológicas severas e pela dinâmica global de exportação para a Europa devido à guerra na Ucrânia, tornou o carvão uma alternativa economicamente viável a curto prazo, resultando num aumento de 2,4% nas emissões de carbono do país.
Ainda assim, o cenário não é totalmente sombrio para as renováveis em solo americano. A energia solar cresceu 34% no mesmo período e foi responsável por satisfazer 61% da nova procura energética. As previsões governamentais continuam a apontar para um crescimento rápido da energia solar e uma contração do carvão nos próximos anos, à medida que a capacidade renovável continua a provar ser mais barata do que os combustíveis fósseis.
O virar da página na Ásia
Do outro lado do globo, a narrativa foi radicalmente diferente. Em 2025, tanto a Índia como a China conseguiram reduzir a sua dependência do carvão, um feito que não acontecia em simultâneo nestes dois países desde 1973. A Índia registou uma queda de 3% no uso de carvão, enquanto a China viu uma redução de 1,6%.
Este marco é particularmente impressionante dado que, tal como nos Estados Unidos, a procura por eletricidade aumentou em ambos os territórios. A grande diferença reside na forma como essa nova procura foi satisfeita: a implementação massiva de energias renováveis foi suficiente não só para cobrir o aumento do consumo, mas também para retirar quota de mercado aos combustíveis fósseis.
Estes dados sugerem que as emissões da China podem ter atingido um planalto, com a possibilidade de uma tendência descendente se a eletrificação dos transportes e a aposta nas renováveis mantiverem o ritmo atual. Segundo a análise da Electrek, embora a Índia esteja numa fase mais precoce do seu desenvolvimento económico, o foco nas renováveis poderá permitir ao país poupar tanto em emissões como em custos financeiros no futuro.










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