
Os Estados Unidos enfrentam um desafio significativo com o fornecimento de energia para sustentar o crescimento exponencial da Inteligência Artificial. Para contornar esta limitação, a startup norte-americana Aikido Technologies apresentou uma proposta engenhosa: deslocar os centros de dados para o mar, instalando-os dentro da própria estrutura flutuante de aerogeradores marinhos, segundo avança a IEEE Spectrum. A ideia consiste em aproveitar os tanques de lastro de plataformas semissubmersíveis de três pilares. Cada um destes pilares tem capacidade para alojar infraestruturas de 3 a 4 MW de potência, o que permite que uma plataforma completa alcance os 10 a 12 MW. Toda a energia necessária será fornecida pela turbina eólica, capaz de gerar entre 15 e 18 MW, complementada por baterias e uma ligação de segurança à rede elétrica terrestre.
Refrigeração natural e planos de expansão
O primeiro protótipo deste conceito, com uma capacidade de 100 kW, tem implantação planeada para a costa da Noruega no final de 2026. A empresa aponta ainda para um desenvolvimento de maior escala no Reino Unido durante o ano de 2028. No que diz respeito ao controlo de temperatura, a solução passa por utilizar a água doce do lastro num circuito fechado. A água absorve o calor dos servidores e, de seguida, transfere-o para o oceano através da estrutura de aço, utilizando as temperaturas baixas do Mar do Norte como um sistema de refrigeração natural.
Este modelo permite atingir um PUE (Power Usage Effectiveness) inferior a 1,08, uma marca de excelência no que toca à eficiência energética. A constante força do vento no Mar do Norte deverá garantir energia ininterrupta durante mais de 75% do tempo de operação, com as baterias a assegurar o funcionamento nos momentos em que a turbina não produza eletricidade suficiente.
Os obstáculos do oceano e a lição da Microsoft
Embora a transferência de infraestruturas para o mar resolva a dificuldade de acesso a solo, eletricidade terrestre e licenciamentos complexos, o ambiente marítimo traz adversidades extremas. A salinidade, a corrosão, a ondulação e a dependência de cabos submarinos dificultam severamente a manutenção dos equipamentos. A Aikido Technologies nota também que a refrigeração líquida não é totalmente autossuficiente, sendo necessário equipamento auxiliar, como sistemas de ar condicionado, para manter a rede interna a funcionar em perfeitas condições.
Esta abordagem do oceano não é uma estreia no setor tecnológico. O conhecido Project Natick da Microsoft testou um conceito semelhante ao afundar servidores na costa da Escócia. Embora a experiência tenha demonstrado que as máquinas submarinas podiam ser oito vezes mais fiáveis do que as terrestres, a infraestrutura foi retirada do mar em meados de 2024. A iniciativa serviu como uma base valiosa de investigação, provando que o sucesso técnico de um projeto não garante imediatamente a sua viabilidade comercial.












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