
Quase um ano após o avanço da DeepSeek ter abalado os mercados globais, a China inicia 2026 com uma nova onda de progressos tecnológicos que está a impulsionar o mercado bolsista, mesmo num cenário onde a economia geral permanece frágil.
O setor tecnológico chinês começou o novo ano com um vigor renovado, alimentado por avanços em áreas que vão desde os foguetões comerciais à robótica e aos carros voadores. Um indicador tecnológico local, semelhante ao Nasdaq, disparou quase 13% apenas este mês, enquanto as ações de tecnologia chinesas listadas em Hong Kong subiram cerca de 6%, superando o desempenho do Nasdaq 100.
Este entusiasmo em torno das tecnologias nacionais tem sido o principal motor da corrida aos títulos chineses desde abril, contrastando com uma economia que ainda lida com uma crise imobiliária e um consumo anémico. A dinâmica poderá ganhar ainda mais força nos próximos meses, com a DeepSeek a preparar o lançamento de um novo modelo de Inteligência Artificial e o governo chinês a ultimar um plano económico de cinco anos focado na autossuficiência tecnológica.
O efeito catalisador da DeepSeek e a corrida à IA
Desde que a DeepSeek surpreendeu os mercados globais a 27 de janeiro do ano passado com os seus modelos de IA acessíveis e de alto desempenho, outras empresas chinesas aceleraram o desenvolvimento das suas próprias versões. Gigantes da internet como a Alibaba e a Tencent registaram um aumento significativo na adoção de IA generativa.
Mark Mobius, diretor-geral do Mobius Emerging Opportunities Fund, destaca que o mercado de ações está a sinalizar um futuro promissor para a tecnologia na região. Segundo o investidor, o objetivo da China é agora ultrapassar os EUA em tecnologia, chips de alto nível e em todas as vertentes da IA, o que está a atrair capital para esse sentido.
O entusiasmo estende-se para além do mercado secundário. Uma vaga de estreias em bolsa de empresas relacionadas com IA registou ganhos expressivos, encorajando outras a seguirem o mesmo caminho. Entre os nomes na calha estão a unidade de carros voadores da Xpeng, a fabricante de foguetões LandSpace Technology e a BrainCo, uma potencial rival da Neuralink.
Da robótica aos riscos de avaliação
O cenário tecnológico chinês vai muito além do software. Robôs chineses têm participado em maratonas e combates de boxe, enquanto grandes modelos de linguagem estão a ser integrados em equipamentos de ponta, como táxis voadores e máquinas de precisão industrial. Estes desenvolvimentos estão a mudar a perceção dos investidores, que deixam de ver o país apenas como uma base de fabrico de baixo custo para o encararem como um desafiador credível à liderança tecnológica dos EUA.
No entanto, esta subida vertiginosa levanta preocupações sobre as avaliações das empresas. A Cambricon Technologies, uma fabricante de chips de IA que compete com a Nvidia, está a ser negociada a cerca de 120 vezes os seus lucros futuros. Da mesma forma, um indicador que acompanha o setor da robótica chinesa apresenta múltiplos superiores aos do Nasdaq 100.
Apesar dos riscos e da decisão de Pequim em apertar o financiamento de margens, muitos investidores mantêm-se otimistas devido à base de custos reduzida e ao forte apoio estatal. A analista Tilly Zhang, da Gavekal Research, nota que a estratégia da China de modelos "baratos e suficientemente bons" pode dar frutos mais rapidamente do que a dos seus pares norte-americanos.
O lançamento do modelo R2 da DeepSeek, esperado para este trimestre, e os detalhes do novo plano quinquenal em março, poderão ser os próximos grandes catalisadores, conforme reportado pela Bloomberg.










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