
O líder executivo da Google, Sundar Pichai, desvalorizou os receios de que a inteligência artificial possa reduzir a zero o tráfego direcionado para os sites da internet. Numa entrevista recente ao programa Decoder, do portal The Verge, o responsável explicou como a empresa utiliza métricas de satisfação dos utilizadores para ajustar os resultados gerados por IA e assegurou que o ecossistema digital continua dinâmico e em crescimento, contrariando as previsões de quebras acentuadas por parte dos editores.
Métricas de satisfação e personalização na pesquisa
Durante a conversa, foi abordada a qualidade dos resumos da pesquisa generativa, que por vezes apresentam respostas demasiado opinativas ou contraditórias face aos resultados tradicionais da web e de plataformas como o Reddit. O líder da Google admitiu que existem margens para melhorias, justificando estes desvios com o ritmo acelerado de evolução tecnológica e com a elevada sensibilidade da IA à personalização extrema.
Segundo o executivo, a empresa baseia-se em mais de 25 anos de experiência na análise do comportamento dos utilizadores, acompanhando dados como o tempo de sessão, a retenção num tema e os cliques de retorno para corrigir o rumo das ferramentas em tempo real. No entanto, estes critérios de avaliação em larga escala podem não capturar imediatamente as experiências individuais ou casos isolados de respostas hiper-personalizadas.
O cenário do tráfego zero e a ansiedade do setor
O conceito de "Google zero", que prevê a perda total de visitas encaminhadas pelo motor de busca para órgãos de comunicação e criadores, foi um dos pontos mais debatidos. Grandes grupos editoriais já instruíram as suas equipas a planear a atividade como se o tráfego vindo da Google deixasse de existir.
Em resposta, Sundar Pichai argumentou que o bolo de conteúdos na internet está a aumentar e que a tecnológica tem feito esforços para incluir mais hiperligações nas suas funcionalidades inteligentes, além de direcionar os utilizadores para novos formatos, tais como fóruns e podcasts. Adicionalmente, o responsável reconheceu a ansiedade pública em torno do emprego e dos custos energéticos dos centros de dados, mas recusou que a tecnologia enfrente um problema de marketing, sublinhando que a sociedade e os governos devem colaborar na adaptação a esta nova era, cuja evolução caminha em direção ao desenvolvimento da inteligência artificial geral.












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