
A DeepSeek, uma das empresas de inteligência artificial de maior destaque na China, iniciou o desenvolvimento do seu próprio processador focado na aceleração de inferência. O objetivo principal desta estratégia é diminuir a forte dependência de hardware externo, conforme avançado pelo Wccftech.
A decisão surge num momento em que as tensões comerciais estão em alta e as fabricantes procuram soluções internas para contornar as severas restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos. Até agora, a empresa baseava-se numa mistura de tecnologias para operar. Os seus populares modelos V4 foram treinados com o acelerador Ascend 950DT da Huawei, enquanto a arquitetura Blackwell da NVIDIA oferece o suporte nativo a estes mesmos modelos.
O peso das sanções no mercado tecnológico
A agência Reuters confirmou, através de fontes familiares com o projeto, que o novo componente pretende sustentar o treino e a execução dos modelos da empresa à escala global. O cenário atual forçou muitas destas empresas a recorrerem a caminhos alternativos para manterem a competitividade, o que inclui a importação não oficial de placas gráficas devido às limitações.
Atualmente, o acesso ao hardware de topo está muito restringido no mercado chinês, limitando-se praticamente às placas H20 e H200, estando a avançada linha Blackwell completamente proibida. Esta realidade força a DeepSeek, juntamente com outras gigantes locais como a Alibaba e a Baidu, a canalizar investimentos pesados na criação de processadores exclusivos para as suas cargas de trabalho.
A procura pela independência na cadeia de abastecimento
A transição para hardware proprietário reflete uma mudança estrutural na abordagem das grandes empresas tecnológicas. Ao criarem processadores feitos à medida, procuram uma maior eficiência energética e um desempenho superior, otimizado especificamente para modelos de linguagem de grande escala.
Para o mercado europeu e para o utilizador em Portugal, esta fragmentação significa que poderemos começar a assistir a um ecossistema tecnológico dividido, com serviços asiáticos a correrem em infraestruturas totalmente distintas das ocidentais, o que a longo prazo pode ditar diferenças nos custos e na velocidade de adoção destas ferramentas a nível global.
Apesar da ambição do plano, a ameaça à hegemonia norte-americana fora das fronteiras da China não será imediata. Richard Windsor, analista da Radio Free Mobile, sublinha que a empresa terá grandes dificuldades em atrair clientes internacionais. Caso o chip seja um sucesso técnico, o seu alcance deverá ficar estritamente limitado ao mercado interno chinês.












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