
A Anthropic está a elevar o tom sobre a segurança tecnológica e defende que os grandes laboratórios devem criar um mecanismo coordenado para pausar o desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial mais avançados. Segundo os detalhes revelados pela Reuters, a empresa criadora do modelo Claude não exige uma paragem imediata, mas sim a criação de um botão de emergência global consensual entre os gigantes da indústria, a ser ativado caso os riscos da tecnologia superem a capacidade de resposta da sociedade.
A proposta surge do receio de que as plataformas atinjam rapidamente uma fase de melhoria recursiva. Isto significa que as máquinas adquirem a capacidade de desenhar, treinar e aperfeiçoar os seus próprios sucessores com uma intervenção humana cada vez menor.
Quando a inteligência artificial constrói os seus sucessores
O argumento central da empresa reside na velocidade atual do progresso. A inteligência artificial já não se limita a ajudar na programação, acelerando de forma drástica todo o ciclo de investigação. Em maio de 2026, mais de 80% do código integrado na base da empresa foi redigido pelo Claude. Antes do lançamento do Claude Code em fevereiro de 2025, esta percentagem encontrava-se em valores residuais. Hoje, os engenheiros produzem em média oito vezes mais código por trimestre do que no período compreendido entre 2021 e 2025.
Os testes externos confirmam a tendência de crescimento, demonstrando que o tempo que os modelos demoram a completar tarefas de forma autónoma duplica a cada quatro meses. Em março de 2024, o Claude Opus 3 resolvia problemas equivalentes a quatro minutos de trabalho humano. Um ano depois, o Claude Sonnet 3.7 já lidava com tarefas de hora e meia, e o Claude Opus 4.6 alcançou a marca das 12 horas. Mantendo este ritmo, em 2027 a tecnologia conseguirá completar tarefas que exigiriam semanas a um profissional qualificado.
As máquinas começam a fechar cada vez mais partes do ciclo de trabalho: escrevem código, executam experiências, analisam resultados e corrigem erros. Numa prova interna, o Claude passou de uma aceleração de três vezes numa otimização em maio de 2025 para cinquenta e duas vezes com o Claude Mythos Preview em abril de 2026. A vantagem humana para escolher os caminhos da investigação está a ficar cada vez mais estreita.
O desafio de parar a corrida e a posição da concorrência
A ideia de uma pausa unilateral levanta desafios complexos. Se um laboratório parar o seu trabalho e outro avançar em segredo, os incentivos competitivos e geopolíticos mantêm-se inalterados. O treino destes sistemas é muito mais fácil de esconder do que grandes infraestruturas, o que obriga a que qualquer acordo defina regras estritas sobre o que ativa a pausa, quem a valida e como se verifica o cumprimento da mesma. Tudo isto acontece numa altura em que a empresa está avaliada em 965 mil milhões de dólares e avança com a documentação para uma entrada na bolsa norte-americana.
Do outro lado da barricada encontra-se a OpenAI. A responsável pelo ChatGPT partilhou na sua agenda pública de junho de 2026 que a governação destes modelos de fronteira deve ser responsabilidade dos governos democráticos e não de acordos privados entre empresas. A sua visão defende a criação de um quadro federal de segurança, com supervisão independente e monitorização constante do progresso em direção à referida melhoria recursiva.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!