
Os hospitais e centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde encontram-se a braços com uma falha generalizada nos seus sistemas, impedindo o acesso à Internet e forçando os profissionais a passar receitas de forma manual. Segundo avança o Público, o problema teve início pelas 8h45 desta sexta-feira e está a causar fortes constrangimentos no atendimento aos utentes em todo o país.
O impacto clínico e a resposta dos médicos
A origem deste incidente, de acordo com a Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), deve-se a uma falha de energia que afetou diretamente os serviços e sistemas de informação de suporte à atividade clínica. Embora a entidade refira que a normalidade está a ser reposta de forma progressiva, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) descreve o cenário como uma falha crítica que compromete a segurança e a resposta adequada aos doentes.
Sem acesso ao historial clínico, medicação habitual, resultados de exames ou registo de alergias, o SIM aconselha os profissionais a não realizarem consultas que dependam destes elementos fundamentais. Nuno Rodrigues, líder do sindicato, sublinha que o SNS não pode depender da improvisação, frisando que a atual situação potencia o risco de erro médico e transfere uma responsabilidade intolerável para os profissionais de saúde. A emissão de certificados de incapacidade temporária e a prescrição eletrónica médica estão totalmente inoperacionais, afetando não só o serviço público, mas também o setor privado e as regiões autónomas.
Constrangimentos nas farmácias e histórico recente
As dificuldades operacionais não se limitam aos consultórios e urgências. As farmácias estão igualmente a sentir o impacto massivo desta anomalia tecnológica. Ema Paulino, presidente da Associação Nacional de Farmácias, confirmou que as equipas nas várias unidades não estão a conseguir aceder à base de dados para efetuar a dispensa eletrónica dos medicamentos prescritos.
Este contratempo junta-se a um histórico conhecido de fragilidades na infraestrutura tecnológica da saúde em Portugal. Em setembro do ano passado, sistemas vitais como o Sonho e o SClínico também sofreram interrupções que paralisaram temporariamente as operações. Mais recentemente, a rede de saúde foi alvo de um complexo ataque informático que expôs os dados clínicos de aproximadamente 100 mil utentes, um caso que se encontra atualmente sob a investigação da Polícia Judiciária.












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