
Aproximar o telemóvel ou os auscultadores do peito pode ser um gesto comum, mas para pessoas que utilizam dispositivos cardiovasculares implantáveis, como pacemakers e desfibrilhadores, isso pode representar um problema real. Segundo um estudo publicado na revista Circulation, os campos magnéticos emitidos por vários aparelhos eletrónicos de consumo atual podem ativar inadvertidamente um modo de segurança nestes implantes médicos, impedindo-os de detetar taquicardias ou outras irregularidades cardíacas críticas.
O impacto dos ímanes nos equipamentos médicos
Os dispositivos cardiovasculares modernos são concebidos para entrar automaticamente num modo de segurança quando se deparam com campos magnéticos fortes. Esta funcionalidade existe para proteger o paciente e garantir o funcionamento do aparelho durante procedimentos médicos intensivos em magnetismo, como as ressonâncias magnéticas. No entanto, o problema surge com a proliferação massiva de pequenos ímanes potentes, de terras raras, na tecnologia que usamos todos os dias.
Normalmente, um pacemaker reage quando encontra um campo magnético de 10 Gauss ou superior. Para colocar isto em perspetiva, um simples íman de frigorífico decorativo pode emitir cerca de 100 Gauss. O estudo revelou que os campos magnéticos de produtos conhecidos, como os AirPods, o iPhone 12 Pro Max e o Apple Pencil, têm força suficiente para perturbar o funcionamento normal destes implantes.
Recomendações de segurança para o dia a dia
Resultados semelhantes foram observados noutras categorias de eletrónica, incluindo relógios inteligentes, cigarros eletrónicos e a Surface Pen da Microsoft. Contudo, a publicação destes dados não significa que os pacientes com problemas cardíacos estejam proibidos de usufruir da tecnologia atual.
A agência norte-americana que regula o setor da saúde (FDA) partilha várias diretrizes importantes. A regra central foca-se na prevenção pela distância: os utilizadores devem manter os seus equipamentos eletrónicos a pelo menos 15 centímetros de distância do implante cardiovascular. Na prática, isto traduz-se em evitar transportar o telemóvel ou a caixa dos auscultadores no bolso da frente da camisa. Em caso de dúvida sobre o comportamento do implante, ou perante sintomas de tonturas e perda de consciência, os pacientes são aconselhados a recorrer ao seu sistema de monitorização caseiro e a procurar um médico de imediato.












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