
Os veículos robóticos da agência espacial norte-americana que exploram a superfície de Marte já alcançaram marcos históricos na exploração espacial, mas os modelos atuais continuam a enfrentar severas restrições técnicas no terreno. O Perseverance, considerado um dos mais avançados da frota da NASA, atinge uma velocidade máxima que não chega a cruzar a barreira dos 0,16 km/h em superfícies planas. Além da lentidão inerente, o solo acidentado desgasta as rodas com facilidade, e as inclinações acentuadas repletas de rochas e areia obrigam frequentemente a equipa a planear desvios longos para alcançar os alvos científicos. Para tentar mitigar estas barreiras, a NASA revelou os avanços no desenvolvimento do seu novo protótipo batizado de Ernest (Exploration Rover for Navigating Extreme Sloped Terrain).
Uma nova suspensão para contornar os obstáculos
O veículo experimental tem sido colocado à prova no deserto do Colorado, servindo para testar abordagens técnicas que têm aplicação direta em missões na Lua e no Planeta Vermelho. Ao contrário dos rovers atualmente presentes em solo marciano, que utilizam uma configuração de seis rodas, o Ernest assenta em apenas quatro rodas e conta com cerca de 1,2 metros de comprimento. Contudo, a versão final que será enviada para o espaço terá o dobro do tamanho atual. O grande trunfo tecnológico deste modelo reside na capacidade de erguer as suas rodas de forma independente, permitindo-lhe literalmente "dar passos" por cima de obstáculos complexos.
James Keane, cientista planetário do JPL envolvido nas missões lunares, refere que a agência espacial poderia realizar uma verdadeira viagem de exploração científica pela Lua ou por Marte com este veículo. Desde a introdução do clássico Sojourner que os rovers espaciais dependem de um sistema de suspensão passiva (denominado rocker-bogie) para assegurar a distribuição constante do peso pelas rodas. Com o Ernest, os engenheiros estão a romper com a tradição e a apostar numa suspensão ativa para obter um índice de mobilidade consideravelmente superior. O sistema conta com duas articulações motorizadas na zona frontal que controlam um gimbal, conferindo ao veículo a destreza necessária para caminhar sobre as rodas, serpentear ou escalar rochas.
Mobilidade total com decisões mais independentes
A flexibilidade deste design permite-lhe alternar de forma automática entre a suspensão ativa e passiva, adaptando-se às exigências da tarefa imediata e otimizando o consumo de energia da bateria. Graças às suas quatro rodas totalmente direcionáveis, oErnest consegue deslocar-se livremente em qualquer direção. Desde o arranque do programa em 2022, o protótipo passou por múltiplos melhoramentos, tendo a equipa testado quase uma dúzia de configurações de suspensão distintas.
A versão mais recente traz consigo uma capacidade melhorada de tomada de decisão independente, reduzindo a dependência de controladores humanos na Terra. Nos testes de campo mais recentes realizados em ambiente de deserto, o protótipo circulou por um total de 37 horas ao longo de sete dias, tendo percorrido cerca de 25,7 quilómetros e fixado a sua velocidade de ponta em cerca de 0,96 km/h. O principal objetivo do programa passa por maturar esta tecnologia para criar veículos de exploração espacial que cubram distâncias muito maiores em menos tempo, abrindo portas a novas descobertas científicas de forma autónoma.












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