
O projeto do Euro digital deu um passo fundamental para se tornar realidade no espaço europeu. A Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários aprovou a criação desta nova moeda virtual, desenhada para providenciar transações rápidas e privadas em toda a zona euro, de acordo com as informações detalhadas divulgadas pelo Parlamento Europeu.
Fim da dependência do mercado norte-americano
A grande ambição por trás desta medida passa por reduzir drasticamente a dependência europeia face a redes de pagamento externas, com destaque para as gigantes dos Estados Unidos como a Visa e a Mastercard. Para o tecido empresarial em Portugal e nos restantes países comunitários, isto significa uma alteração profunda nas operações financeiras diárias. Todas as empresas passarão a ser obrigadas a aceitar pagamentos nesta nova moeda, ficando isentas apenas as microempresas que ainda não possuam infraestruturas de pagamento digital. A moeda estará também disponível para utilização pelos turistas que visitem a região.
Privacidade garantida e funcionamento sem internet
Um dos maiores trunfos do Euro digital será a sua flexibilidade de utilização pelos consumidores. Na vertente online, o sistema funcionará através de contas bancárias tradicionais que asseguram segurança imediata nas compras habituais feitas na internet. A grande novidade reside nos pagamentos offline, que permitirão transferências diretas entre dispositivos físicos, como os telemóveis, replicando a conveniência do dinheiro físico sem depender de uma ligação à rede.
A arquitetura do projeto foi construída com um forte foco no anonimato. Recorrendo a tecnologias de encriptação avançadas, como as provas de conhecimento nulo, a infraestrutura consegue validar os pagamentos sem partilhar dados pessoais com os lojistas, com o Banco Central Europeu ou com qualquer agência estatal.
Estrutura de custos e calendário de implementação
Para o utilizador comum, transacionar o Euro digital será um processo totalmente gratuito. Do lado do comércio, existirão taxas aplicadas pelo Banco Central Europeu por cada compra, mas estima-se que estas comissões fiquem abaixo dos valores atualmente cobrados pelas empresas líderes de mercado. As instituições financeiras envolvidas no processo também serão devidamente compensadas pela sua manutenção.
O calendário europeu já definiu as próximas etapas cruciais. A aprovação deverá ser formalizada numa votação em Estrasburgo no próximo mês. Posteriormente, iniciar-se-ão as negociações com os vários estados-membros para alcançar um acordo até ao final do ano. Estando as formalidades concluídas, o plano prevê o arranque de um projeto-piloto de doze meses na segunda metade de 2027, preparando a infraestrutura para o lançamento oficial e distribuição pelas instituições financeiras em 2029.












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