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Instagram em smartphone

A Meta anunciou que vai descontinuar uma funcionalidade de inteligência artificial recentemente introduzida, que permitia aos utilizadores gerarem imagens com base em fotografias de contas públicas do Instagram. A decisão surge após dias de intensa contestação pública, motivada principalmente pela política de exclusão (opt-out) adotada pela tecnológica, que mereceu duras críticas por parte de várias agências de talentos.

Segundo avançou a publicação Variety, a funcionalidade fazia parte do modelo de inteligência artificial Muse Image, apresentado pela empresa liderada por Mark Zuckerberg. A ferramenta permitia manipular ou referenciar imagens de utilizadores bastando, para isso, fazer uma menção (@-mention) a qualquer perfil público na rede social.

A polémica do opt-out e a reação do setor

O ponto central da discórdia residiu no facto de a ferramenta vir ativada por omissão para todos os utilizadores maiores de 18 anos com contas públicas. Para evitar que os seus conteúdos fossem utilizados pelo gerador de imagens da Meta, as pessoas eram obrigadas a desativar manualmente a opção nas configurações.

A Creative Artists Agency (CAA), que representa figuras de topo do cinema mundial como Tom Hanks e Meryl Streep, manifestou as suas preocupações diretamente à tecnológica, exigindo uma abordagem mais razoável e o respeito pelos direitos de imagem dos criadores. Em comunicado, a agência defendeu que o nome, imagem, voz ou trabalho criativo de ninguém devem ser utilizados por terceiros, incluindo modelos de IA, sem um consentimento claro e documentado. Da mesma forma, o sindicato de atores norte-americano SAG-AFTRA tinha apelado aos seus membros para que marcassem a opção de exclusão de forma a protegerem a sua identidade.

Consequências práticas e o mercado local

Em termos práticos para quem utiliza as redes sociais da Meta, esta reviravolta significa o cancelamento imediato de uma opção que levantava sérias dúvidas éticas e legais na gestão de dados pessoais. Num mercado como o europeu, onde as regras de privacidade digital são particularmente restritas, este passo atrás evita potenciais conflitos com os reguladores locais.

Em comunicado, um porta-voz da Meta justificou o recuo após ouvir o feeback do público, admitindo que a funcionalidade "falhou o alvo" e que já não se encontra disponível. Este episódio reflete a tensão contínua no setor tecnológico, numa altura em que outras empresas também enfrentam problemas semelhantes. Recentemente, a OpenAI também encerrou uma funcionalidade de exclusão parecida no seu modelo de vídeo Sora 2 devido a contestações, enquanto a Apple avançou com um processo judicial contra a criadora do ChatGPT por alegado roubo de segredos comerciais.

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