
A Lotus, marca britânica detida pelo grupo Geely, confirmou uma mudança radical na sua estratégia para os próximos anos. Se em 2021 a fabricante prometia um catálogo 100% elétrico até 2028, o novo plano "Focus 2030" dita que os veículos puramente a bateria (BEV) representarão menos de 40% das vendas. O futuro da marca passará agora por uma forte aposta em modelos híbridos plug-in (PHEV) e na continuidade dos clássicos motores puramente a combustão (ICE), adaptando-se assim à procura real dos consumidores.
Há cerca de cinco anos, o mercado automóvel foi inundado por promessas de eletrificação total por parte de marcas de luxo como a Volvo, a Jaguar e a própria Lotus. Na altura, a Lotus chegou a anunciar que o desportivo Emira seria o seu último modelo a combustão. Contudo, o arrefecimento global na procura por elétricos forçou uma revisão profunda destas metas.
A mudança começou a desenhar-se de forma oficial em 2024, quando a marca recuou no objetivo de ser exclusivamente elétrica, apresentando no Salão Automóvel de Guangzhou a sua nova tecnologia híbrida. O resultado prático dessa viragem surgiu no final de 2025 com a homologação na China do seu primeiro híbrido plug-in, o "For Me" (uma variante PHEV do SUV elétrico Eletre), cujas entregas já estão a decorrer.
Estrutura flexível para conquistar o mercado
O novo roteiro estratégico da empresa clarifica que a Lotus quer manter uma abordagem ágil perante as diferentes velocidades de adoção tecnológica a nível global. Dentro da sua oferta eletrificada até 2030, a meta aponta para um peso de 60% nas vendas de híbridos plug-in e apenas 40% nos modelos totalmente a bateria. A produção de veículos a combustão tradicional também vai continuar, embora o volume exato não tenha sido revelado.
Segundo a justificação oficial da Lotus, a transição para a eletrificação total será agora "liderada pelo cliente". Esta flexibilidade ganha força com a expansão global da marca: o novo Eletre X, equipado com a tecnologia híbrida da empresa, tem a chegada prevista ao mercado europeu para o quarto trimestre de 2026. A fabricante sublinha que a receção inicial na China foi bastante positiva, ultrapassando a fasquia das mil encomendas logo no primeiro mês.
Novo superdesportivo V8 no horizonte
Para consolidar o compromisso com a hibridização, a Lotus confirmou o desenvolvimento de um novo topo de gama para 2028. O futuro Type 135 (também conhecido como Vision X) será um superdesportivo equipado com uma potente motorização híbrida V8, capaz de debitar mais de 735 kW de potência. A produção deste novo monstro do asfalto deverá decorrer na Europa.
Quanto aos modelos puramente elétricos, a linha atual deverá manter-se focada no Eletre, no GT Emeya e no hiperdesportivo Evija, sem novos anúncios previstos para o segmento. A Lotus garante que a inovação nos BEV e a arquitetura de 800V continuam a ser pilares importantes para atrair novos clientes, mas toda a operação funcionará em estreita colaboração com a casa-mãe, a Geely.
Esta sinergia com o grupo Geely visa otimizar os custos de produção e a cadeia de abastecimento. De resto, o próprio grupo chinês — que integra marcas como a Polestar, a Volvo e a Zeekr — traçou recentemente a meta de atingir os 6,5 milhões de veículos vendidos até 2030, esperando que os modelos de nova energia representem 75% desse volume, conforme detalhado no comunicado oficial da Lotus.












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