
Os condutores em Portugal preparam-se para um novo agravamento nos postos de abastecimento já no início da próxima semana. De acordo com fontes do setor, o gasóleo vai sofrer um aumento mais acentuado de sete cêntimos por litro, enquanto a estimativa provisória para a gasolina aponta para uma subida de três cêntimos.
Para perspetiva do mercado nacional, os dados atuais disponibilizados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) indicam que o preço médio do gasóleo simples se encontra nos 1,793 euros por litro e o da gasolina simples 95 nos 1,893 euros por litro. Os valores finais desta nova atualização ficam fechados durante a tarde de sexta-feira.
O impacto das tensões internacionais no mercado
Esta subida ocorre num período marcado pela valorização do petróleo nos mercados globais, impulsionada pelo ressurgimento de conflitos no Médio Oriente e por ataques recentes envolvendo os EUA e o Irão. Curiosamente, apesar da tendência semanal ascendente, a cotação do barril de Brent para entrega em setembro encerrou a passada quinta-feira no mercado de futuros de Londres com uma descida de 2,20%, fixando-se nos 76,30 dólares.
Neste fecho de mercado específico, os receios dos investidores relativamente à inflação e a uma potencial redução da procura petrolífera acabaram por pesar mais do que a escalada militar no Golfo Pérsico.
Preocupação do executivo e alívio orçamental
A atual volatilidade é vista "com preocupação" pelo Governo, que reconhece o impacto económico das tensões no Médio Oriente. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, sublinhou à entrada para a reunião do Eurogrupo em Bruxelas que a situação é "bastante incerta e volátil". O governante alertou que um agravamento do conflito trará inevitavelmente consequências negativas para a economia.
"Esperemos que tudo possa ser sanado rapidamente", afirmou o ministro, garantindo que o executivo vai acompanhar os efeitos nas próximas semanas, sobretudo no que toca ao preço dos combustíveis, para "atuar em conformidade". Miranda Sarmento notou ainda que a situação orçamental de 2025, por ter sido melhor do que o antecipado, oferece alguma margem de manobra.
O país vai também beneficiar de um alívio nas regras orçamentais da União Europeia, proposto pela Comissão Europeia. Esta medida destina-se a acomodar despesas na área da energia e segurança energética, permitindo aos Estados-membros aumentar o investimento público sem que esses gastos afetem o cumprimento das metas de défice e dívida estabelecidas. Questionado sobre os detalhes práticos destas medidas, o ministro indicou que a discussão terá agora de ser feita diretamente com a Comissão.












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