
Os condutores em Portugal vão enfrentar um agravamento expressivo nos custos de abastecimento na semana de 24 a 30 de agosto, com subidas previstas tanto no gasóleo como na gasolina. De acordo com os dados avançados pelo Automóvel Club de Portugal, o litro do gasóleo encarecerá 10 cêntimos, enquanto a gasolina registará um aumento de 9 cêntimos.
Com base nos valores médios praticados esta sexta-feira, 21 de agosto, divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) — que fixam o gasóleo em 1,967 euros por litro e a gasolina em 1,885 euros —, as projeções indicam que o preço médio do diesel subirá para 2,068 euros por litro, ao passo que a gasolina alcançará os 1,977 euros por litro. A evolução dos preços, monitorizada pela DGEG desde 14 de agosto de 2025, assinala a tendência de subida.
Tensionamentos internacionais pressionam cotações do crude
Esta estimativa assenta nas cotações da matéria-prima ao fecho dos mercados da última quinta-feira. Como o setor se encontra liberalizado em Portugal, os preços finais nos postos de abastecimento variam consoante o operador e a localização, podendo ainda ocorrer ajustamentos em função das oscilações do mercado até ao fim de sexta-feira.
O agravamento dos custos reflete a instabilidade geopolítica decorrente da guerra no Médio Oriente, com intervenções militares a envolverem os EUA, Israel e o Irão. O conflito provocou o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde circula cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural, gerando forte volatilidade nos mercados energéticos internacionais.
Governo aplica mecanismos de mitigação e imposto extraordinário
Para conter o impacto junto das famílias e empresas, o Governo mantém o compromisso de aplicar uma redução extraordinária e temporária no Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) sempre que se registe uma subida do preço dos combustíveis superior a 10 cêntimos. Esta medida tem efeito cumulativo a cada semana. Segundo as estimativas do Conselho das Finanças Públicas, esta intervenção fiscal resultará numa redução de 777 milhões de euros na receita fiscal do Estado.
Em paralelo, o executivo decidiu libertar até 10% das reservas estratégicas de combustível do país, numa ação coordenada com os restantes membros da Agência Internacional de Energia. Adicionalmente, o Governo liderado por Luís Montenegro aprovou a criação de uma Contribuição de Solidariedade Temporária sobre o Setor Petrolífero, que tributa em 33% os lucros extraordinários das empresas que atuam nos setores do petróleo bruto e da refinação.







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