
A Fortinet revelou a identificação de uma campanha ativa do trojan bancário Ousaban direcionada a clientes de instituições financeiras na Península Ibérica. O ataque recorre a táticas avançadas de evasão e filtragem geográfica para garantir que apenas os utilizadores localizados em Portugal e Espanha são infetados, comprometendo de forma severa o acesso a plataformas de banca online.
O processo de infeção e evasão
A ameaça tem origem num ficheiro PDF fraudulento concebido para simular um documento corrompido, induzindo a vítima a clicar num falso botão de atualização. Este passo redireciona o utilizador para uma página maliciosa que verifica minuciosamente detalhes do sistema, como o endereço IP, o idioma e o fuso horário. Se os critérios geográficos não forem cumpridos, o processo é imediatamente bloqueado, evidenciando o elevado nível de especificidade da operação.
Para as vítimas elegíveis, a página descarrega um script em Visual Basic que utiliza técnicas de esteganografia para extrair um ficheiro ZIP oculto numa imagem. É este arquivo que instala silenciosamente o malware Ousaban, apagando de seguida os vestígios da infeção para dificultar qualquer tipo de análise técnica ou forense.
Controlo remoto e bancos na mira
Uma vez enraizado no sistema, o software malicioso garante a sua persistência e passa a monitorizar o acesso a serviços bancários de entidades como o Millennium BCP, Caixa Geral de Depósitos, Banco BPI, Novobanco, Santander e BBVA. Os cibercriminosos obtêm capacidades de vigilância extremas que incluem a captura de ecrã, a leitura das teclas premidas, a manipulação da área de transferência e a apresentação de mensagens fraudulentas para roubar dados sensíveis.
A comunicação com os servidores de comando é mantida sob forte cifra, utilizando domínios gerados dinamicamente que mudam diariamente para escapar à deteção e rastreio. A evolução desta campanha sublinha a importância de manter os sistemas de defesa atualizados e reforçar a atenção face a esquemas de engenharia social, especialmente perante o descarregamento de ficheiros aparentemente inofensivos.












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