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A integração de ferramentas avançadas no setor financeiro está a acelerar a um ritmo sem precedentes. Segundo dados revelados num recente fórum promovido pela Zango AI em Lisboa, mais de 93% dos bancos sob supervisão europeia já utilizam modelos algorítmicos avançados nas suas operações diárias. No entanto, os reguladores alertam que a governação e a responsabilização humana ainda não acompanham o ritmo desta revolução tecnológica.

O alerta do Banco Central Europeu e a armadilha da eficiência

Durante o encontro, Pedro Machado, membro do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu, indicou que o investimento dos bancos nesta área atingiu os quatro mil milhões de euros até ao final de 2025. A utilização tem-se concentrado sobretudo na deteção de fraude, combate ao cibercrime, marketing e avaliação de risco de crédito. Contudo, o responsável destacou que muitas organizações estão bloqueadas numa "armadilha da micro eficiência", automatizando processos de forma isolada sem redesenhar genuinamente os seus modelos de negócio.

A preocupação com a resiliência operacional motivou o BCE a enviar recentemente cartas "Dear CEO" às instituições financeiras. A exigência incide sobre a correção de vulnerabilidades detetadas nestes sistemas — que já possuem a capacidade de identificar falhas de software e gerar código para as explorar em poucos minutos — obrigando à apresentação de planos de mitigação concretos até 31 de outubro.

Supervisores focam-se no quadro legal atual

O debate juntou as principais entidades supervisoras de Portugal, incluindo o Banco de Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF). Para os reguladores nacionais, a prioridade europeia não deve focar-se na criação imediata de mais leis, mas sim numa convergência reforçada e na aplicação rigorosa do quadro existente, com particular destaque para o Regulamento relativo à Resiliência Operacional Digital (DORA).

A ASF reforçou o compromisso com uma inovação responsável, anunciando a iniciativa InovaSup para 2026. Para o consumidor final, a mensagem dos supervisores traduz-se numa exigência clara: os sistemas não podem comprometer a proteção dos clientes em processos sensíveis, assegurando que o mercado financeiro local mantém níveis elevados de transparência.

A responsabilidade humana como linha vermelha

Representantes da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e da Ageas partilharam os desafios práticos desta adoção. Raquel Vila Verde, Diretora de Compliance do Grupo CGD, sublinhou que a tecnologia permite acelerar a produção de campanhas direcionadas aos clientes, mas a supervisão humana não se pode tornar numa mera formalidade perante o aumento de volume. A responsabilidade pelas decisões baseadas em IA tem de continuar atribuída a pessoas reais.

Ritesh Singhania, cofundador da Zango AI, salientou o potencial da tecnologia para garantir a conformidade regulamentar, desde que exista um controlo efetivo. A confiança do público no setor financeiro continuará a depender de uma estrutura onde as instituições saibam exatamente quem aprova as soluções e, de forma mais crítica, quem assume as consequências quando um sistema produz um resultado injusto ou prejudicial.

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