
O domínio do Unreal Engine e do Unity no desenvolvimento de videojogos pode estar prestes a enfrentar um novo desafio. Segundo avançou a PC Gamer, Sjoerd De Jong, que atuou como diretor sénior e evangelista principal da Epic Games durante os últimos 12 anos, abandonou a empresa no mês passado para criar uma alternativa construída de raiz: o Immens Engine.
A decisão nasce de uma frustração com o estado atual da produção de jogos. De Jong defende que a indústria ficou paralisada devido à dependência quase exclusiva dos motores da sua antiga empresa e do Unity. Embora alternativas como o CryEngine ainda existam de forma residual — visível em lançamentos como Kingdom Come Deliverance 2 —, o mercado carece de evolução técnica, especialmente numa altura em que o Unreal Engine 5 tem gerado queixas frequentes de desempenho por parte da comunidade.
O papel da inteligência artificial no Immens Engine
Este novo projeto avança com peso pesado da indústria na sua fundação. A equipa do Immens Engine conta com veteranos da área, incluindo Arjan Brussee, ex-diretor técnico da Epic Games. O grande diferencial desta nova aposta passa pela integração de um conjunto de ferramentas personalizadas, bibliotecas e serviços externos, onde se destaca o suporte para agentes de IA desenhados para auxiliar o desenvolvimento ativo.
Apesar desta integração, o criador faz uma ressalva perentória: o Immens Engine não é um motor movido a inteligência artificial, sendo apenas totalmente compatível com a mesma. O objetivo passa por apoiar a criação tradicional, evitando sistemas automáticos que se limitem a gerar jogos com o apertar de um botão. Para De Jong, essas abordagens extremas resultam em produtos genéricos, aceleram a saturação do mercado e dificultam o destaque de projetos genuinamente criativos.
Uma alternativa realista a pensar no futuro
Tendo em conta que a Epic Games prevê a chegada do Unreal Engine 6 apenas para o final de 2028, abre-se uma janela de oportunidade considerável para novos concorrentes. A equipa do Immens Engine mantém as expetativas realistas e assume que não pretende rivalizar em volume cru de funcionalidades com plataformas que levam décadas de desenvolvimento ininterrupto. O foco é antes oferecer um motor adaptado às exigências e aos tempos modernos.
Para os estúdios indie e programadores independentes, adotar um motor novo representa sempre um risco acentuado, operando quase como um "modo difícil" devido à falta de documentação histórica e à ausência de projetos de sucesso que sirvam de rampa de lançamento. Ainda assim, a promessa de uma plataforma mais leve, livre da bagagem técnica das últimas décadas e apoiada em ferramentas contemporâneas, poderá ser o catalisador que o mercado necessita para voltar a inovar.












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