
A onda de despedimentos que assola a indústria dos videojogos fez mais uma vítima, com a Double Fine a anunciar a redução da sua força de trabalho. Segundo avançou o Kotaku, o estúdio de desenvolvimento cortou 23 dos seus cerca de 90 funcionários, uma decisão que surge na sequência dos seus planos de afastamento da estrutura corporativa da Microsoft.
O peso da independência
O anúncio oficial foi partilhado através do Bluesky, onde Tim Schafer, líder da empresa, lamentou a situação. Numa nota enviada à equipa, Schafer sublinhou que "apenas a sobrevivência do nosso estúdio nos faria sequer considerar uma ação tão dolorosa". A reestruturação reflete os desafios imediatos enfrentados pelo estúdio, que ocorrem apesar de um esforço recente para sindicalizar a equipa.
Este corte acontece num momento de transição profunda para a produtora. A 6 de julho de 2026, a empresa revelou que iria regressar à total independência, encerrando um ciclo que teve início em 2019, quando foi integrada na estrutura da Xbox Game Studios. Os rumores já apontavam que a Double Fine seria uma das entidades afetadas pela mais recente vaga de milhares de despedimentos que começou no verão a atingir a Microsoft e a Xbox.
Impacto na indústria e projetos recentes
Ao longo dos anos, a equipa construiu uma reputação de peso através de videojogos bastante carismáticos e muito bem recebidos, como "Psychonauts", "Psychonauts 2", "Grim Fandango" e "Costume Quest". Recentemente, o estúdio manteve um ritmo de produção ativo, tendo lançado o jogo de plataformas meditativo "Keeper" em 2025, e o título multijogador de combates com cerâmica "Kiln" no início de 2026.
Apesar da qualidade e do sucesso crítico dos seus projetos mais recentes, a produtora não conseguiu escapar ao clima de instabilidade no mercado. Para os profissionais da área em Portugal e na Europa, este caso ilustra a vulnerabilidade dos estúdios perante reestruturações corporativas de grande escala. A sangria que tem marcado o setor tecnológico parece continuar a fazer eco entre as produtoras que procuram seguir caminhos independentes, e o cenário global sugere que esta poderá não ser a última empresa a ter de enfrentar escolhas difíceis.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!