
A combinação de satélites de observação, redes de sensores e modelos virtuais está a tornar-se a principal linha de defesa contra os efeitos das alterações climáticas em território nacional. Perante o aumento da frequência de fenómenos como secas, incêndios rurais e cheias, a urgência de proteger redes de energia, transportes e comunicações levou o ISQ a detalhar novas estratégias durante o "Encontro de Ciência e Inovação", realizado no Centro de Congressos de Lisboa.
Para os responsáveis pela gestão do território em Portugal, a resposta passa por transformar a enorme quantidade de dados brutos recolhidos diariamente em informação acionável quase em tempo real. A integração de IA com sistemas de Digital Twins permite criar réplicas exatas de infraestruturas físicas, detetando vulnerabilidades e planeando manutenções preditivas antes que uma catástrofe comprometa o abastecimento de água ou a logística essencial.
O papel estratégico da Constelação Atlântica
Nesta equação tecnológica, o desenvolvimento da futura Constelação Atlântica luso-espanhola assume um peso determinante. A infraestrutura espacial vai garantir uma monitorização contínua tanto das áreas continentais como do oceano, entregando dados vitais para o planeamento do risco, proteção civil e operações de defesa.
O maior obstáculo atual não reside na captação da informação, mas na superação das limitações institucionais e tecnológicas que dificultam o uso destes dados nos processos de decisão diários. Os especialistas apontam como prioridade a criação de plataformas seguras de partilha de conhecimento entre operadores, entidades públicas e centros de investigação, suportadas por demonstradores operacionais.
Soluções geoespaciais aplicadas no terreno
Joaquim Barbosa, investigador de I&Di do ISQ, sublinha a visão a longo prazo deste processo contínuo de inovação. "A ideia é acelerar a transferência de conhecimento entre universidades, centros tecnológicos e empresas, promovendo o desenvolvimento de novas soluções com potencial de aplicação internacional. O objetivo é posicionar Portugal como uma referência europeia na utilização da Observação da Terra para reforçar a resiliência das infraestruturas críticas, impulsionando simultaneamente a competitividade da indústria nacional nos setores do espaço, engenharia, ambiente, proteção civil e defesa", defende o especialista.
Na vertente prática, o ISQ já se encontra a aplicar estas metodologias na avaliação de risco climático. Através de reconstruções tridimensionais georreferenciadas que cruzam imagens de drones e satélites com tecnologia LiDAR — um método avançado que utiliza feixes de laser pulsados para medir distâncias com precisão extrema —, torna-se possível mapear o terreno detalhadamente. No setor agrícola, estas soluções avaliam o stress hídrico, o teor de clorofila e o risco fitossanitário, traduzindo grandes volumes de variáveis na proteção efetiva das colheitas e dos ativos fundamentais do país.












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