
As vendas globais de veículos eletrificados atingiram novos máximos históricos durante o segundo trimestre de 2026, com recordes trimestrais registados em 50 países. De acordo com o relatório executivo da Agência Internacional da Energia, o volume de negócios de modelos elétricos e híbridos plug-in cresceu 4% em termos homólogos e 35% face ao trimestre anterior. Este forte avanço foi impulsionado pela escalada nos preços da energia decorrente do conflito entre os EUA e o Irão, deixando o setor rodoviário — que representa quase metade do consumo mundial de petróleo — altamente exposto a flutuações de custos.
Com esta aceleração, a quota de mercado destes modelos deverá fixar-se nos 29% das vendas globais de automóveis até ao final de 2026. Em Portugal, o cenário acompanha a tendência europeia de forte eletrificação, uma vez que a procura por veículos movidos a energias limpas em Portugal registou crescimentos acentuados na primeira metade do ano. No panorama regional, o Reino Unido destacou-se com um aumento de 35% nas matrículas de carros 100% elétricos face ao ano anterior, totalizando uma quota combinada de 36% do mercado britânico juntamente com os híbridos plug-in.
Contraste entre os mercados norte-americano e chinês
O desempenho positivo das motorizações alternativas surge num período de contração para a indústria automóvel tradicional. As vendas globais de automóveis recuaram 5% no primeiro semestre de 2026, penalizadas pelo abrandamento nos dois maiores mercados mundiais: a China e os EUA. No território norte-americano, o setor elétrico já enfrentava dificuldades após a administração Trump ter eliminado os incentivos fiscais federais e flexibilizado as regras de economia de combustível para veículos a combustão interna.
Em sentido inverso, os consumidores de mercados como a Índia, o Brasil, a Austrália e a Coreia do Sul demonstraram um forte otimismo, renovando máximos históricos de aquisições. A China acabou por ser a principal beneficiada por este contexto, servindo de rampa de lançamento para marcas como a BYD, que continuam a expandir a sua presença na Europa. A fatia de veículos elétricos nas exportações automóveis chinesas saltou de cerca de 35% em 2025 para mais de 45% nos primeiros seis meses de 2026, embora o país enfrente agora um desafio de sobreprodução, com cerca de um milhão de unidades armazenadas por vender.
O domínio na cadeia de valor das baterias
Para lá do volume de exportações de produtos acabados, o gigante asiático mantém uma posição de liderança inabalável em toda a cadeia de abastecimento de componentes de energia. O ecossistema industrial chinês beneficia de redes de fornecedores totalmente integradas e de capacidades de produção de baterias em grande escala.
Esta estrutura permite que os custos de fabrico na China sejam cerca de 35% inferiores aos registados nas economias ocidentais avançadas. A agência internacional alerta que, para mitigar esta desvantagem competitiva e fechar o fosso de preços, as restantes nações vão necessitar de uma ação concertada e de investimentos conjuntos entre os respetivos governos e o setor privado.












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