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Bitcoin em formato digital

Segundo revelou uma investigação da Galaxy Research, uma vulnerabilidade crítica no firmware das carteiras de hardware COLDCARD terá sido explorada para desviar cerca de 81,5 milhões de euros em Bitcoin. O problema afetou milhares de utilizadores devido a uma falha grave no gerador de números aleatórios dos dispositivos.

O ataque informático, que durou apenas 41 minutos, ocorreu cerca de 30 horas antes de a fabricante Coinkite divulgar publicamente a falha ao mercado. Numa primeira fase, os atacantes conseguiram drenar 1083 BTC, o equivalente a 64,6 milhões de euros, a partir de 1196 endereços. Nas vagas seguintes, o volume total escalou para 1367 Bitcoin dispersos por 4585 endereços afetados.

Detalhes técnicos e automatização do ataque

Os investigadores descobriram que a intrusão foi inteiramente automatizada por sistemas informáticos. Todas as transações fraudulentas partilharam uma taxa idêntica e elevada de 30 satoshis por byte virtual (sat/vB), o que representou um custo muito superior à média daquela semana, que oscilava entre 0,4 e 1,0 sat/vB. A ausência de troco nestas operações reforça a teoria de que chaves privadas legítimas já estavam em posse dos atacantes.

Dados fornecidos pela empresa de análise de dados Chainalysis revelam que o invasor priorizou os alvos com maior saldo financeiro. Logo nos primeiros 10 minutos da vaga inicial, foram extraídos mais de 27,6 milhões de euros. Numa das situações mais graves registadas, uma única vítima perdeu cerca de 1,65 milhões de euros.

O erro no gerador de números aleatórios

A origem do problema foi identificada pelas equipas de engenharia e segurança da Block. Os especialistas detetaram um erro de integração no código do gerador de números aleatórios (RNG) da COLDCARD. O sistema ignorou o gerador físico integrado no chip (STM32) devido a uma validação incorreta no código informático, ativando uma alternativa de software muito menos segura baseada em MicroPython.

Esta alternativa gerou chaves baseadas em dados previsíveis, como o identificador do microcontrolador e a temporização do sistema. Com esta fragilidade, os atacantes conseguiram recriar e adivinhar as chaves de segurança remotamente através de computadores locais, comparando os resultados com os saldos expostos na cadeia de blocos pública.

Modelos afetados e medidas de mitigação

A Coinkite confirmou que a falha afeta as versões de sistema 4.0.1 a 4.1.9 nos modelos Mk2 e Mk3. Estão também em risco os dispositivos Mk4 e Mk5 com pacotes anteriores à versão padrão 5.6.0 ou Edge 6.6.0X, além do modelo Q em edições anteriores à 1.5.0Q ou Edge 6.6.0QX. Embora novas atualizações já corrijam a falha de segurança, como as versões 4.2.0, 5.6.0 ou 1.5.0Q, a instalação do novo software não repara chaves que foram geradas sob a falha anterior.

Para quem utiliza estes dispositivos em Portugal ou no resto do mundo, isto significa que é obrigatório migrar os fundos. Os utilizadores afetados devem validar as suas cópias de segurança atuais, instalar a versão corrigida do sistema e gerar uma credencial inteiramente nova para transferir o saldo restante. A fabricante esclareceu que os produtos TAPSIGNER, OPENDIME e SATSCARD utilizam outra base de código e estão totalmente seguros. Aqueles que adicionaram pelo menos 50 lançamentos de dados físicos independentes durante a configuração inicial também estão protegidos deste vetor específico.

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