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Bitcoin

A transição do mercado das criptomoedas para uma nova fase de maturidade está a ser impulsionada pela tokenização e por um controlo rigoroso de risco. Segundo avançou a CNBC, Larry Fink, diretor executivo da BlackRock, revelou no dia 15 de julho de 2026 a sua perspetiva sobre o futuro do setor financeiro, destacando o impacto direto da tecnologia nas empresas e a evolução estrutural dos ativos digitais.

A tecnologia como catalisador de crescimento

A perspetiva económica para os próximos doze meses baseia-se na convicção de que a inovação tecnológica vai redefinir a rentabilidade empresarial de forma sustentada. O líder da maior gestora de ativos do mundo explicou que esta transformação se reflete diretamente na otimização dos custos operacionais. "Estou muito otimista com os mercados nos próximos doze meses. Acho que a revolução tecnológica vai estimular as margens de um número maior de empresas", afirmou Fink.

Para demonstrar a validade desta tese, o responsável usou o desempenho recente da própria BlackRock. A empresa registou um aumento da sua margem operacional em 260 pontos base ao longo de doze meses e captou um fluxo de 1.000 mil milhões de dólares em ativos adicionais sob gestão, mantendo a mesma estrutura de colaboradores. A integração de IA nos processos internos permitiu acelerar a produção de código informático entre as equipas de desenvolvimento.

Resiliência financeira e o saneamento do mercado cripto

No que toca ao sistema de crédito global, os receios de um colapso sistémico foram afastados. O executivo traçou uma linha clara entre a solidez atual e os desequilíbrios graves da crise económica de 2008 e 2009. "Não há tanto efeito de alavancagem assim em comparação com 2008 e 2009", declarou, indicando que a dimensão atual dos mercados de capitais permite absorver compromissos financeiros com resiliência. "Não vemos um efeito de alavancagem implícito tão grande. Considerando a escala dos mercados de capitais de hoje, esse efeito de alavancagem não é tão grande." Fica, contudo, a ressalva de que "isso não significa que não existam bolsões de risco".

Esta redução de risco encontra eco na purga recente do ecossistema das criptomoedas. Larry Fink, que classificou o Bitcoin como um "ativo do medo", assinalou o fim da era de superendividamento no setor. As liquidações sucessivas de posições afastaram os especuladores mais frágeis, enquanto a transição de investidores institucionais para opções de cobertura trouxe segurança às negociações.

"Sempre estive preocupado com o efeito de alavancagem no bitcoin e nas criptos. Havia muitos atores superendividados nesse mercado. Por isso foi necessário passar por essa purga, e acho que há mais estabilidade nesses níveis", explicou o executivo. Para quem acompanha o mercado em Portugal, este movimento sinaliza uma profissionalização da área, aproximando as práticas globais dos exigentes padrões regulatórios europeus em vigor, e ancorando o valor destes ativos numa disciplina institucional mais rigorosa em detrimento da especulação.

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