
O clássico jogo de tiros da id Software tem um longo historial de adaptações invulgares, mas a mais recente transforma uma ferramenta de desenho num monitor improvisado. Mark Russinovich, CTO do Microsoft Azure, partilhou no GitHub o projeto DoomPaint, que torna a versão shareware do jogo totalmente jogável dentro da icónica aplicação da empresa.
Mecanismo de colagem e desempenho
Em vez de recriar o motor gráfico do jogo, o sistema executa o código real do Doom e copia cada frame renderizado para a área de transferência do Windows. O documento no programa de desenho recebe então essa imagem colada de forma contínua, atuando apenas como o ecrã do jogador.
Apesar desta abordagem peculiar, o título corre na sua resolução original de 320x200 a 35 Hz. Segundo a documentação técnica, o motor principal mantém a velocidade normal de processamento, independentemente do desempenho da aplicação de desenho. O autor aplicou ainda soluções técnicas para evitar erros e garantir que o processo não é interrompido durante a execução.
Uma máquina do tempo no botão de anular
Esta configuração técnica resulta em vantagens inesperadas para a jogabilidade. Como o programa regista cada frame inserido como uma nova alteração no ficheiro, o histórico de ações permite que o jogador faça retroceder o tempo. Basta usar o atalho de anular (Ctrl+Z) para reverter danos sofridos ou evitar eliminações. A qualquer instante, é também possível guardar o documento atual para gerar um ficheiro PNG exato da sessão.
O engenheiro ressalvou o propósito humorístico da sua criação numa citação direta incluída no projeto: "O Paint renderiza o jogo, mas não o computa. O Paint não computa nada. O Paint nunca computou nada. Essa é a piada", afirmou Russinovich. A proeza junta-se a décadas de experiências em torno da obra, que já foi executada através do ChatGPT e até por células cerebrais humanas cultivadas num microchip.












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