
Os grupos de ciberespionagem alinhados com Pequim intensificaram as suas campanhas a nível global, direcionando os ataques para setores estratégicos como a energia, as rotas marítimas e a inovação tecnológica. De acordo com o mais recente relatório da equipa de investigação da ESET, que detalha a atividade registada entre outubro de 2025 e março de 2026, estas operações acompanham de perto os mais recentes desenvolvimentos geopolíticos e os interesses económicos da nação asiática.
O impacto da geopolítica na escolha dos alvos
As tensões internacionais recentes serviram de catalisador para as novas vagas de ataques. Na sequência da operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e do clima de instabilidade no Golfo, os investigadores detetaram um aumento do interesse de Pequim na monitorização de eventos políticos e logísticos fora das suas fronteiras.
O grupo FamousSparrow destacou-se ao visar uma entidade do governo venezuelano ligada aos assuntos marítimos. A principal motivação deste ataque terá sido o acompanhamento da resiliência das rotas de exportação de petróleo após a intervenção norte-americana. Numa frente paralela, o grupo SteppeDriver direcionou os seus esforços para uma rede governamental na Síria. Este alvo reflete uma dupla preocupação: a segurança relacionada com a presença de combatentes uigures no país e a defesa dos interesses comerciais chineses nos futuros projetos de reconstrução.
O foco nas tecnologias da próxima geração
A par das infraestruturas críticas tradicionais, a ciberespionagem tem na sua mira o desenvolvimento tecnológico, acompanhando as metas estipuladas pela política industrial "Made in China 2025". O grupo NegativeGlimmer foi identificado no comprometimento de entidades governamentais no Panamá e no Camboja, marcando também presença num ataque a uma empresa sul-coreana especializada em inteligência artificial e robótica.
"Na Ásia, as campanhas concentraram-se sobretudo em organizações governamentais, indústrias estratégicas e setores tecnológicos avançados", explicou Jean-Ian Boutin, Diretor de Investigação de Ameaças da ESET.
Para os profissionais e empresas no mercado português e europeu, este cenário sublinha que qualquer organização ligada a inovações de ponta ou integrada em cadeias de abastecimento críticas encontra-se altamente exposta. A crescente interligação das redes globais exige hoje uma postura de cibersegurança capaz de travar ameaças com forte financiamento e coordenação estatal.












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