
A aceleração tecnológica e a pressão contínua sobre o custo de vida estão a alterar as decisões de compra dos consumidores a nível global. De acordo com um relatório divulgado pela McKinsey & Company, o mercado é impulsionado por quatro grandes tendências: a integração de ferramentas digitais no processo de decisão, a busca por soluções de saúde personalizadas, a preferência por experiências em vez de bens materiais e o surgimento de um comprador focado na maximização de valor.
IA e redes sociais mudam a jornada de compra
A descoberta de marcas tornou-se mais fragmentada devido ao impacto das plataformas sociais, motores de pesquisa e assistentes virtuais. Esta mudança reflete uma clara clivagem geracional na forma como a informação é consumida.
A utilização de IA generativa para apoiar compras já é uma realidade para 28% dos consumidores da Geração Z, em comparação com apenas 16% dos baby boomers. Além disso, 60% dos mais jovens recorrem habitualmente a resumos gerados por inteligência artificial em pesquisas digitais, valor que desce para 29% nas faixas etárias mais avançadas.
As redes sociais também reforçam a sua influência: 23% da Geração Z descobriu novas marcas através destas redes e 34% atribui a estas plataformas a decisão final de compra. No entanto, a confiança geral nestes canais permanece inferior à depositada em recomendações familiares ou especialistas. Outro dado relevante revela que os sites das próprias marcas representam somente 1% a 2% das fontes citadas pelos modelos de linguagem em consultas sobre bens de consumo, sendo superados por fóruns, órgãos de comunicação e plataformas de comparação.
Monitorização da saúde e apetite por experiências
O conceito de bem-estar expandiu-se para áreas como a qualidade do sono, saúde intestinal e gestão de stress. A adoção de tecnologia para acompanhar estes indicadores atinge 75% na Geração Z e 73% nos millennials através de relógios inteligentes e aplicações dedicadas, contrastando com os 55% da Geração X e 32% dos baby boomers. Adicionalmente, 22% do público geral (e 26% da Geração Z) já consulta modelos de linguagem para obter esclarecimentos sobre saúde.
Paralelamente, a procura por experiências demonstra resiliência perante restrições orçamentais. Entre 2023 e 2025, o setor das experiências cresceu 2,6% globalmente, com viagens e alojamento a subirem 4,4%, superando o crescimento de 0,8% verificado nos bens não essenciais. Quando questionados sobre como aplicariam uma verba suplementar de 200 dólares (cerca de 185 €), 27% dos inquiridos indicaram férias e 14% refeições fora de casa, evidenciando uma forte preferência por momentos de lazer.
Reparação e prolongamento de vida dos produtos
A otimização de custos deixou de ser uma reação temporária à inflação para se fixar como um hábito estrutural. Mais de três quartos dos consumidores mantêm práticas ativas de contenção financeira, adotando estratégias autónomas e sustentáveis.
Os dados indicam que 82% dos inquiridos prolongam o uso dos artigos antes de os substituir, 69% optam por reparar equipamentos e 68% procuram diminuir o desperdício. O mercado de vestuário em segunda mão capta a adesão de 30% dos compradores, enquanto metade da Geração Z procura tutoriais online para realizar reparações ou serviços por conta própria.
Para as empresas, esta evolução exige demonstrações claras de durabilidade e versatilidade nos produtos. Com a escala e a notoriedade tradicional a perderem peso isoladamente, o sucesso das marcas passa por assegurar visibilidade nos ecossistemas de IA e responder a uma definição de valor mais exigente e multifacetada.












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