
A Apple está a negociar acordos de licenciamento de longo prazo com várias empresas de comunicação social para alimentar a assistente de voz Siri com informação em tempo real. Segundo avançou o The Wall Street Journal, a empresa norte-americana prepara um orçamento de nove dígitos — na ordem das centenas de milhões de dólares — para remunerar os órgãos de informação consoante o volume de conteúdo apresentado aos utilizadores.
A iniciativa pretende transformar a assistente numa fonte de notícias atualizada e fiável, através de contratos plurianuais. A compensação paga às editoras dependerá da frequência com que os artigos e dados de cada meio forem transmitidos ao público.
Histórico de erros e resumos controversos
A aposta na integração de conteúdos jornalísticos surge após uma fase conturbada com os resumos de notificações do Apple Intelligence. Lançada entre o final de 2024 e o início de 2025, a funcionalidade de inteligência artificial tinha como objetivo condensar mensagens e alertas de aplicações, mas acabou por gerar vários resumos incorretos atribuídos a órgãos de comunicação respeitados.
Entre os episódios registados esteve um alerta falso que atribuía à BBC a notícia de que Luigi Mangioni, acusado do assassinato de um executivo de seguros, se tinha suicidado. Noutra ocasião, o sistema indicou que a BBC reportara que o tenista Rafael Nadal se assumira homossexual e que era de nacionalidade brasileira. O sistema chegou também a anunciar a vitória do jogador de dardos Luke Littler numa final ainda não disputada e a detenção do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.
As falhas afetaram igualmente o Washington Post, com alertas erróneos sobre a demissão do Secretário da Defesa Pete Hegseth e a confirmação pelo Senado de nomes para o governo antes das votações reais. Perante os erros identificados a partir de novembro de 2024 pelo editor Ken Schwencke da ProPublica, a gigante tecnológica desativou temporariamente o recurso. Mais tarde, os resumos regressaram com um aviso em texto vermelho sobre a exatidão do conteúdo.
Investimento direto no jornalismo para garantir precisão
O novo plano marca uma evolução na abordagem da gigante de Cupertino. Ao procurar parcerias diretas com os criadores de conteúdos informativos em vez de depender apenas de automatismos de recolha na web, a empresa visa eliminar falhas de contexto nas respostas fornecidas pela assistente de voz.
Para os utilizadores em Portugal e no mundo, esta aproximação pode resultar numa assistente mais rigorosa no acompanhamento da atualidade política, económica e desportiva. Resta confirmar se estes acordos de licenciamento se vão alargar a publicações europeias e regionais ou se focarão prioritariamente os grandes grupos de comunicação norte-americanos.












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