
A Twitch confirmou a utilização de conteúdos dos criadores para treinar os seus modelos de inteligência artificial generativa, ativando esta opção por predefinição para todos os utilizadores. A decisão gerou uma onda de insatisfação imediata na comunidade. Conforme detalhado no Twitch UserVoice, quase 14.000 pessoas votaram favoravelmente num comentário a exigir que a funcionalidade necessite de uma ativação manual, acumulando milhares de respostas com críticas contundentes à plataforma pertencente à Amazon.
Como desativar a recolha de dados na conta
Os criadores mantêm a capacidade de recusar esta utilização, apesar de a ferramenta estar ligada de origem. O processo pode ser feito na versão web, clicando no avatar no canto superior direito do ecrã, acedendo às definições e navegando até à secção "Treino para IA Generativa" através das definições de segurança. Na aplicação móvel, o caminho passa pelo perfil, definições e segurança e privacidade. A alteração numa das plataformas reflete-se automaticamente em todos os dispositivos.
Esta desativação aplica-se exclusivamente aos modelos de inteligência artificial generativa. A empresa esclarece que outras ferramentas baseadas em inteligência artificial continuam ativas para garantir o funcionamento do serviço, como o AutoMod e a geração de legendas. Os dados recolhidos para estas funções específicas não são retidos para treinar modelos generativos.
A justificação da empresa e o impacto no alcance
Mike Minton, Chief Product Officer da Twitch, abordou a polémica numa transmissão recente. O responsável explicou que sistemas vitais da plataforma dependem da avaliação de texto por inteligência artificial, dando o exemplo da transcrição de áudio que viabiliza os resumos de transmissões e reforça a moderação automática. Minton assegurou que a recusa em partilhar dados para treino "tem zero impacto" na capacidade de um canal ser descoberto.
A recusa em implementar um sistema de adesão voluntária prende-se com uma constatação prática. O executivo admitiu que, se a opção exigisse uma ativação manual, "ninguém iria aderir". Reconhecendo o descontentamento da comunidade, argumentou que a maioria dos serviços globais opera com configurações ativas por predefinição, sublinhando que a plataforma respeita a vontade de quem escolhe desativar a funcionalidade.
Uma prática transversal no mercado tecnológico
A frustração levou alguns utilizadores a ameaçarem abandonar o serviço, embora as alternativas no mercado adotem políticas semelhantes. A Google utiliza vídeos do YouTube para treinar as suas ferramentas, como o Gemini e o Veo 3, sem oferecer uma via de recusa clara aos criadores. De igual modo, a Meta treina os seus sistemas com publicações e transmissões em direto partilhadas no Facebook e Instagram, também sem opção de bloqueio.
Minton alertou ainda que laboratórios externos de inteligência artificial já deverão estar a recolher conteúdos públicos da Twitch para treino próprio. Esta recolha externa acontece independentemente das permissões concedidas internamente na plataforma, uma realidade que o executivo admitiu estar muito além do controlo direto da empresa.












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