
A gigante tecnológica asiática prepara-se para aprofundar a sua presença no design de silício próprio. Segundo avançou o IT Home, Lu Weibing, parceiro e presidente do grupo Xiaomi, anunciou que a empresa vai lançar em breve a próxima geração do chip XRING. Esta decisão segue o êxito do seu primeiro SoC, o XRING O1, que ultrapassou a fasquia de um milhão de unidades enviadas num universo de três equipamentos, marcando um passo vital na transição da marca para o fabrico independente.
A transição do O1 para a arquitetura do XRING O3
Produzido a partir de um processo de 3 nm e lançado no ano passado, o XRING O1 demonstrou a capacidade técnica da fabricante para desenvolver arquiteturas avançadas de silício. Este marco coloca a empresa num círculo reduzido da indústria, atualmente partilhado pelos componentes da série A da Apple e pelas linhas Exynos da Samsung. A validação desta tecnologia foi alcançada através da sua implementação em múltiplos dispositivos de topo, com o volume de envios a ser confirmado pelo CEO Lei Jun no início deste ano.
Embora a empresa mantenha grande parte das especificações da próxima versão em segredo, Lu Weibing sugeriu uma rápida implementação de produtos baseados no novo SoC. Uma fuga de informação divulgada em abril detalhou o chip XRING O3 em conjunto com o dispositivo Xiaomi Fold 5 de nome "Lhasa", revelando uma arquitetura de CPU dividida em três clusters com núcleos Prime, Titanium e Little. Os ganhos no papel são substanciais: a frequência do núcleo principal dispara para lá dos 4 GHz, a eficiência energética regista uma melhoria de 68% e a frequência da GPU recebe um aumento de cerca de 25%. Os rumores do setor indicam que a estreia deste componente acontecerá no telemóvel dobrável Xiaomi MIX Fold 5.

Os investimentos milionários e o ecossistema automóvel
As ambições de hardware da marca estão desenhadas para perdurar. Desde que a fabricante retomou o desenvolvimento interno de processadores em 2021, o plano estratégico firmou um compromisso de pelo menos 10 anos, alavancado por um investimento de 50 mil milhões de yuans (cerca de 6,4 mil milhões de euros). Apenas até abril de 2025, o capital direcionado para a investigação e desenvolvimento da linha XRING já tinha ultrapassado os 13,5 mil milhões de yuans (aproximadamente 1,7 mil milhões de euros).
A utilidade desta família de processadores estende-se muito além dos smartphones, estando a sua aplicação planeada também para os futuros veículos elétricos da Xiaomi. O plano serve uma estratégia de longo prazo focada em mitigar a dependência de fornecedores externos e em trazer a inovação de hardware para dentro de portas. Para os consumidores em Portugal, o reflexo mais evidente desta transição será a chegada de um número crescente de equipamentos de topo alimentados pelo silício nativo da marca ao longo dos próximos anos, prometendo um nível superior de integração em todo o ecossistema da fabricante.












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