
A Google vai alterar profundamente a forma como os telemóveis gerem os recursos do sistema operativo. Conforme detalhado no Android Developers Blog, o Android 17 introduz limites rigorosos na quantidade de RAM que cada aplicação pode utilizar, calculados dinamicamente com base na memória física total disponível no equipamento. A medida visa impedir que uma única ferramenta mal otimizada degrade a experiência global do utilizador e prejudique as capacidades multitarefa dos smartphones.
A decisão resulta de uma conjuntura de mercado específica e desafiante para os fabricantes. Com o encarecimento drástico dos componentes eletrónicos, muitas marcas começaram a reduzir a capacidade de memória RAM e de armazenamento NAND instalada nos equipamentos de forma a conter a subida dos preços finais. Perante exigências de desempenho cada vez maiores, a imposição de regras estritas de consumo ao nível do software tornou-se a via escolhida para preservar a estabilidade da plataforma.
O fim das fugas de memória descontroladas
Até ao momento, uma aplicação particularmente exigente conseguia monopolizar os recursos do sistema caso mantivesse um nível de prioridade considerado alto. Um serviço a correr em primeiro plano com uma fuga de memória forçava o encerramento em catadupa de processos em segundo plano e dados alojados em cache, numa tentativa do sistema para libertar espaço. O impacto refletia-se na perda do estado anterior das aplicações e num aumento excessivo do uso do processador central e da bateria.
Para solucionar a questão de forma estrutural, a nova versão do sistema incorpora um serviço de Limitador de Memória integrado no sistema de gestão de atividades e assente no protocolo Linux cgroup v2. O mecanismo utiliza os parâmetros memory.high como teto brando e memory.swap.max para restringir a memória de troca (swap) alocada a cada processo. Quando um utilitário atinge o primeiro patamar, o sistema começa a enviar as páginas inativas para a zRAM, comprimindo a informação e exigindo esforço extra de processamento. Se o consumo continuar a escalar e esgotar a margem em zRAM, o processo responsável é finalmente terminado, poupando as restantes aplicações.
Limites escalonados até aos 16 GB
As novas restrições variam consoante as especificações do hardware e distinguem processos visíveis no ecrã de processos secundários. Num telemóvel de entrada de gama com 4 GB, uma aplicação em primeiro plano tem acesso a 2 GB, quota que desce para 1 GB quando oculta. Num dispositivo com 6 GB, os limites sobem para 4 GB e 2 GB, respetivamente. Nas configurações de 8 GB, as margens fixam-se nos 5 GB e 3 GB, enquanto os equipamentos de 12 GB garantem limites de 8 GB e 4 GB. Os modelos de topo com 16 GB de RAM permitem que um processo visível ocupe 10 GB, limitando as tarefas invisíveis a 5 GB.
As componentes vitais do sistema operativo ficam isentas destas amarras para garantir a estabilidade do equipamento. Ferramentas mais pesadas, como videojogos exigentes a correr no plano principal, continuam a usufruir de margens muito alargadas.
Este sistema disciplinar de consumo estreou nos dispositivos Pixel compatíveis com a versão mais recente do Android. A estratégia passa por expandir a funcionalidade aos restantes fabricantes do ecossistema ao longo do próximo ano, adaptando o software à realidade dos custos dos componentes de hardware.







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