
O fundador e diretor executivo da Automattic, Matt Mullenweg, foi colocado numa licença de ausência remunerada, num processo que o gestor descreve como uma conspiração interna. Segundo avançou o 404 Media, o anúncio foi feito pelo próprio através de uma mensagem partilhada no Slack interno da empresa responsável por várias marcas populares da internet.
Mark Davies, o atual diretor financeiro, assumirá o cargo de diretor executivo interino. De acordo com as publicações internas, Mullenweg acusou Davies de ter "conspirado" com os membros da administração Ann Dunwoody, Toni Schneider e Sue Decker "nas costas" do CEO para aprovar este afastamento, uma decisão contra a qual Mullenweg votou expressamente.
Tensão na administração e falta de aconselhamento
O fundador da empresa responsável pelo WordPress e Tumblr revelou que a resolução lhe foi entregue apenas 50 minutos antes do início da reunião. Os seus repetidos pedidos para rever o documento com um conselheiro legal independente, mesmo que por breves horas, foram negados pela estrutura de topo.
Apesar do afastamento repentino, Toni Schneider confirmou aos funcionários que Mullenweg manterá o seu lugar na administração e continuará a ter "uma voz na definição da direção e na tomada de decisões". Um porta-voz oficial da empresa já confirmou a licença, sublinhando que a administração tem "total confiança" na capacidade da equipa e na liderança de Mark Davies, que por sua vez prometeu avançar com "transparência, comunicação e trabalho de equipa".
Histórico de controvérsias e processos judiciais
Esta mudança de liderança surge no seguimento de um período conturbado para a Automattic. Nos últimos anos, o gestor esteve envolvido numa disputa jurídica divisiva com a WP Engine, pontuada por ataques públicos a oponentes e pares do setor. Em 2024, a situação interna escalou quando Mullenweg apresentou uma oferta aos funcionários que discordassem da sua visão, propondo o pagamento de seis meses de salário ou 30.000 dólares aos que optassem por abandonar a empresa, sob a condição de perderem o acesso aos sistemas nessa mesma noite e nunca mais poderem ser contratados.
Cerca de 159 colaboradores aceitaram essa oferta inicial. Mais tarde, Mullenweg lançou um novo programa de rescisões e ameaçou despedir quem falasse com a imprensa, afirmando que deviam "sair graciosamente, ou ser despedidos amanhã sem indemnização". A somar a este clima de instabilidade, a empresa esteve muito recentemente envolvida numa tentativa de reclamar a propriedade sobre a palavra "automatic".







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