
A ambição da gigante de Cupertino em criar um serviço revolucionário de saúde baseado em inteligência artificial sofreu um revés significativo. A Apple decidiu cancelar o lançamento de um serviço de IA que prometia "replicar" um médico e atuar como um treinador de saúde pessoal, optando por uma estratégia mais fragmentada.
A informação foi avançada por Mark Gurman, da Bloomberg, indicando que a iniciativa, que nunca chegou a ser anunciada publicamente, foi reduzida nas últimas semanas após uma reorganização interna.
Mudança de direção sob nova liderança
O projeto, conhecido não oficialmente como "Health+", estava a ser desenvolvido desde o ano passado. O objetivo era criar um serviço abrangente capaz de monitorizar a alimentação dos utilizadores, corrigir a postura durante os exercícios utilizando a câmara do iPhone e recomendar alterações ao estilo de vida com base nos dados de saúde recolhidos.
A decisão de recuar surge na sequência de uma reestruturação organizacional, onde Eddy Cue, chefe de serviços da Apple, assumiu o controlo da divisão de saúde. Segundo as informações divulgadas, Cue considerou que a Apple não estava a mover-se com a rapidez necessária para competir com nomes já estabelecidos no setor, como a Oura, que já oferecem funcionalidades avançadas e atraentes nas suas aplicações para iOS.
Perante a conclusão de que o plano original não seria suficientemente competitivo no seu formato atual, a empresa optou por não lançar o "treinador de saúde" como um pacote único e independente.
O futuro: Funcionalidades fragmentadas e integração com a Siri
Apesar do cancelamento do serviço unificado, o trabalho desenvolvido não será desperdiçado. A nova estratégia passa por lançar as funcionalidades individuais que foram criadas, integrando-as gradualmente na aplicação Saúde existente.
Algumas destas novidades podem chegar aos utilizadores muito em breve. Os vídeos de treino e orientações médicas que a Apple já tinha produzido, bem como a capacidade de fazer recomendações baseadas nos dados do utilizador, poderão ficar disponíveis ainda no início deste ano.
Além disso, a empresa continua a explorar o potencial da IA neste setor. Estão em curso trabalhos para desenvolver um chatbot de saúde capaz de responder a questões de bem-estar. No entanto, esta ferramenta é vista apenas como uma solução provisória. O objetivo a longo prazo da Apple é que a futura versão da Siri, potenciada por grandes modelos de linguagem (LLM), assuma a responsabilidade de gerir estas interações e responder às dúvidas dos utilizadores de forma mais natural e integrada.