
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em rota de colisão com as grandes empresas de tecnologia, apontando o dedo ao setor pelo aumento dos preços da eletricidade no país. A declaração surge numa altura em que a expansão desenfreada de centros de dados dedicados à Inteligência Artificial (IA) tem colocado uma pressão sem precedentes na rede elétrica.
Segundo Trump, é inaceitável que a população norte-americana veja a sua conta da luz aumentar para sustentar o avanço destas infraestruturas. O Presidente garantiu que a sua administração já está a colaborar com os gigantes do setor para assegurar que os custos energéticos destas operações não sejam transferidos para os consumidores.
Na rede social Truth Social, Donald Trump foi perentório: as empresas responsáveis pela construção destas estruturas devem arcar integralmente com a despesa energética que geram. Conforme reportado pelo TechSpot, o objetivo é proteger o cidadão comum dos efeitos colaterais da corrida tecnológica.
Microsoft na linha da frente das negociações
A Microsoft foi explicitamente mencionada pelo Presidente como a primeira empresa envolvida nestas novas negociações. De acordo com as declarações de Trump, a gigante de Redmond deverá iniciar mudanças significativas ainda esta semana, embora não tenham sido revelados detalhes concretos sobre que medidas serão implementadas.
Apesar de a Microsoft não ter comentado oficialmente as declarações até ao momento, Brad Smith, presidente e vice-chairman da empresa, tem uma intervenção agendada em Washington. Espera-se que aborde questões relacionadas com o impacto da IA e a responsabilidade corporativa sobre infraestruturas críticas.
Num comunicado que antecipa o evento, a tecnológica reconheceu que a nova era impulsionada pela IA levanta questões fundamentais sobre quem deve suportar os custos desta expansão massiva.
O peso da IA na rede elétrica e a pressão popular
O cenário de tensão não é novo. No final de 2025, senadores norte-americanos enviaram cartas a empresas como a Amazon, Google, Meta e Microsoft, bem como a operadoras de centros de dados, alertando para a correlação direta entre estas instalações e o aumento das tarifas locais. Estudos citados pelos legisladores apontam para subidas de até 267% no preço da energia em regiões próximas de grandes polos de processamento de dados.
Os reajustes ocorrem, frequentemente, porque as concessionárias de energia necessitam de ampliar redes e subestações para responder a uma procura que é comparável ao consumo de cidades inteiras. Em resposta a esta realidade, a pressão popular já começou a surtir efeito. Em outubro passado, a Microsoft viu-se forçada a desistir da construção de um centro de dados em Caledonia, no Wisconsin, devido às críticas de moradores e autoridades locais. Este caso junta-se a uma lista de pelo menos 25 projetos cancelados nos Estados Unidos no último ano.
Enquanto executivos da Microsoft e da NVIDIA continuam a defender publicamente os benefícios da tecnologia, o custo energético afirma-se como um obstáculo crítico. Numa altura em que a "loucura" da IA nos centros de dados continua a ditar tendências, resta saber se as promessas de eficiência serão suficientes para evitar que a fatura recaia sobre o utilizador final.










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