
A ambição da OpenAI de saltar do software para o hardware parece estar a ganhar forma e novos detalhes apontam para uma estratégia multifacetada. Depois de, em dezembro, terem surgido indicações de que a empresa estaria a desenvolver um dispositivo semelhante a uma caneta inteligente, novas informações sugerem agora um ecossistema mais vasto com dois equipamentos distintos.
De acordo com o que reporta a agência de notícias taiwanesa CTEE, a criadora do ChatGPT planeia lançar dois dispositivos com os nomes de código internos "Sweetpea" e "Gumdrop", ambos alimentados por chips de Inteligência Artificial fabricados pela Samsung.
Dispositivos independentes e IA contextual
O primeiro dispositivo, batizado de "Gumdrop", recupera o conceito anteriormente associado à tal "caneta", mas é agora descrito como um aparelho pequeno e fácil de transportar, comparável a um iPod Shuffle. Este gadget foi desenhado para responder a solicitações do utilizador a qualquer momento, numa abordagem que faz lembrar o AI Pin da Humane, embora se espere que com melhores resultados práticos.
O segundo equipamento, com o nome de código "Sweetpea", consiste num par de auriculares sem fios. A grande novidade destes auriculares é a capacidade de interagir com o ChatGPT utilizando apenas comandos de voz, dispensando a necessidade de estar constantemente ligado a um telemóvel. Esta independência do smartphone é vista como um dos grandes trunfos para reduzir a latência e tornar a interação com a IA mais natural.
A grande inovação técnica reside na parceria com a gigante sul-coreana. Ambos os dispositivos deverão vir equipados com os novos chips de IA da Samsung de 2nm. Estes processadores permitirão tratar algumas informações localmente, garantindo rapidez e privacidade, embora a maioria do processamento de dados pesados continue a ser feita na nuvem para poupar a bateria dos equipamentos.
Ecossistema conectado e lançamento previsto
O relatório detalha ainda que estes dispositivos terão "consciência contextual" do ambiente que os rodeia, graças à integração de câmaras e microfones. Uma das funcionalidades de destaque será a capacidade de converter notas manuscritas em texto digital para sincronização imediata com o ChatGPT, além da comunicação entre os próprios aparelhos para criar um ecossistema unificado.
A portabilidade é a chave: os dispositivos poderão ser usados ao pescoço, como pendentes, ou simplesmente guardados no bolso, reforçando a natureza "invisível" da tecnologia.
A estratégia da OpenAI parece focar-se em resolver o "atraso" típico das interações atuais, onde o utilizador depende de um dispositivo secundário para aceder à inteligência artificial. A previsão é que estes novos aparelhos sejam anunciados entre 2026 e 2027.
Paralelamente, a empresa liderada por Sam Altman continua a trabalhar para reduzir a sua dependência das GPUs da NVIDIA. O plano inclui o desenvolvimento de um novo chip ASIC, denominado "Titan", criado em parceria com a Broadcom e utilizando a litografia de 3nm da TSMC, que deverá suportar a infraestrutura de servidor necessária para alimentar estes novos gadgets.










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